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Artigos Quarta-feira, 06 de Junho de 2012, 01:00 - A | A

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Quarta-feira, 06 de Junho de 2012, 01h:00 - A | A

O jogo

No crepúsculo da ditadura militar, nos anos de 1980, um grupo de intelectuais e repórteres cuiabanos encastelou-se numa antiga casa da Rua 13 de Junho e fundou a Cooperativa dos Jornalistas de MT, para resistir ao regime. Ali também residia José Calixto

PAULO LEITE

Divulgação

No crepúsculo da ditadura militar, nos anos de 1980, um grupo de intelectuais e repórteres cuiabanos encastelou-se numa antiga casa da Rua 13 de Junho e fundou a Cooperativa dos Jornalistas de Mato Grosso, para resistir ao regime. Ali também residia José Calixto de Alencar e funcionava a sucursal da Folha de São Paulo. Como reinava a camaradagem, correspondentes de outros jornais também utilizavam o pequeno escritório.

Era comum Nélson Severino, de O Globo, e Lúcio César Tadeu Pires, de O Estado de São Paulo, encaminharem seus despachos para as redações no Rio e em São Paulo, do telex mantido por Calixto (na época não existia internet). Aliás, aquele era um ponto freqüentado por jornalistas, por políticos de esquerda e por intelectuais da cidade.

Marcos Raimundo

Em meio aos debates acalorados e as matérias críticas, rolavam ótimos churrascos e confraternizações. Era uma turma animada. Eles viviam numa alegre e descontraída célula de resistência à ditadura. Era o fim dos anos de chumbo e a abertura havia dado um refresco para a rapaziada. A figura mais divertida e emblemática era Lúcio Tadeu. Um sorocabano ingênuo e idealista que conjurou o destino certo de operário e saiu para o mundo à cata de emoção.

Texto brilhante, repórter arguto, mas doce e santamente irresponsável, Lúcio protagonizou passagens engraçadas e folclóricas. Tinha verdadeira aversão aos ditames do poder e gostava de viver descompromissadamente. Era um gentleman e, ao mesmo tempo, um conquistador. Casou quatro vezes e deixou o mundo como um pássaro solto e livre das amarras das convenções sociais. Lúcio foi um homem livre, no que há de mais poético nesta expressão.

A única vez que ele aceitou fazer assessoria de imprensa foi para o seu time do coração, o São Bento Futebol Clube de Sorocaba. Era uma espécie de consultor do todo poderoso comendador Alfredo Metidieri, patrono do clube e presidente da Federação Paulista de Futebol.

Na disputa do jogo que definiria o rebaixamento de um time para a segunda divisão do Paulista, entre o São Bento e o Velo Clube de Rio Claro, Metidieri mandou Lúcio para a beira do campo. A partida persistia num zero a zero modorrento e desanimador. Lá pelos 40 minutos do 2º tempo, o juiz aproximou-se de Lúcio e avisou:

- Tá tudo acertado com o comendador, mas fala pra alguém chegar na área pra eu poder marcar o pênalti... Pelo menos isso, tem que chegar na área pra eu poder marcar.

Lúcio mandou um jogador correr para a área adversária. Não deu outra, sem mais nem menos, o árbitro apitou a penalidade máxima.

O São Bento marcou o gol e livrou-se do rebaixamento. Lúcio foi o herói invisível daquela epopeia. Lúcio foi exatamente isto, um herói invisível de uma geração de jornalistas cuiabanos.

(*) PAULO LEITE é escritor, publicitário e jornalista e escreve para HiperNoticias às quartas e sextas.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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gilda balbino 06/06/2012

Que ótima lembrança vc nos trouxe dos companheiros Calixto e Lúcio Tadeu.Saudades.

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1 comentários

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