| Mayke Toscano/HiperNotícias |
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Impunível! Saiba que o seu poder a mim nada representa. Nada mais é do que a treliça emperrada de uma janela. Até agora, aguentei calado toda a sua catilinária. Não mais esconderás a luz da Democracia!
Saiba que tantos como ti já enfrentei, e se estou aqui livremente para falar é porque todos venci. Nessa luta, vive e aprendi o que sou: um cidadão que vale por mil.
A metástase que maquiniza aos senhores é sempre a mesma, como psicopatas sociais não percebem a consciência sendo fratricida. São senhores do irracional. São seres desumanizados. Negam a própria essência de sua espécie. Não há Sociedade em seu sentido de vida.
Refletem-se como engrenagens implacáveis, mas o tempo lhes expõe como mera ferrugem. Para sua ambição, não há tanto vil metal no mundo capaz de aplacar.
Achas mesmo que permitiria tornar-lhe inimputável com aprovação da PEC 37? Tolice de quem não conhece a sua própria circunstância. Sua arrogância o torna cego para o seu pior inimigo.
Quem sou eu ?
Aquele que lhe faz em dor à noite pelo sofrimento enxergado de dia. Aquele que lhe faz em castigo pela intranqüilidade do seu destino. Aquele que lhe faz em mentira pela verdadeira realidade. Eu sou o miserável. Aquele que morre, de fome, violentado, ou oprimido sob a sua sombra.
À igualdade, basta de tanta blasfêmia! Eu sou o negro que é negada a raça, mas rompe com os grilhões da escravidão. O índio que é negada a cultura, mas sobrevive ao genocídio. A mulher que é negado o gênero, mas principia a feminilidade da vida. O agricultor que é negada a terra, mas alimenta todos. O jovem que é negada a oportunidade, mas torna a rua um espaço público. A criança que é negada a comida, mas sonha com um futuro. O idoso que é negada a vida, mas não se arrepende do passado. A nação que é negada a identidade, mas se faz brasileira tal como latina- americana.
Eu sou o escravo do tempo de sempre. Eu sou o servo da modernidade. Aquele que trabalha, trabalha, até o sangue escorrer em suor e lágrimas. Aquele que se indigna, se conscientiza, enfrenta, mobiliza, luta até que a vitória seja menor do que a glória da participação na história. Aquele que não se pode dar o poder pelo medo da perda do seu privilégio de classe: eu sou o inapoderável!
Impunível! Em meu nome todo o seu poder emana, em meu nome sua glória é constituída, em meu nome sua propriedade se torna reino, em nome seus cúmplices se tornam nobres. Em meu nome o Estado se torna seu feudo.
Basta! Iluminai a Democracia! Abra-te janela do mundo! Que agora em diante, todas as decisões sejam nossas e transpareçam aos olhos de todos. Que sejamos poderáveis, e que nenhum seja poderoso. Que possamos tornar o espaço político em propriedade coletiva.
Que o Estado vire as costas ao Mercado e novamente ajoelhe-se perante a Sociedade pedindo perdão por ter criado um monstro burocrático chamado de impunível. Que seja feita uma nova Assembléia Constituinte. Que possa ser cantado o hino nacional sobre a cova do autoritarismo da impunidade daquele que trai aos próximos.
Obs.: a presente obra é uma ficção, mera representação imaginativa do autor, não há motivos para se preocupar, não está em risco o conforto do sofá no assistir da novela ou do jogo de futebol.
(*) BRUNO BOAVENTURA é advogado militante em Cuiabá. Blog: www.bboaventura.blogspot.com
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