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Barbearia é o altar da masculinidade. O derradeiro reduto dos machões. Ambiente de piadas, bravatas e palavrões. Talvez, a última fronteira entre o cinismo e a paisagem asséptica que agora permeia as relações sociais. A irreverência e a gozação cederam lugar à ditadura do politicamente correto. Mas, nas barbearias não... Continuam como pilares do chiste, da bazófia e do descaramento.
Na Rua 24 de Outubro, o “Luiggi Barbieri” foi uma espécie de catedral machista do início do século. Ali se encontravam empresários, políticos, juristas e jornalistas para, entre um corte de cabelo e outro, debaterem sobre temas variados. Dante de Oliveira, os empreiteiros Jorge Pires e Zezo Maluf, o promotor Domingos Sávio, o conselheiro Antonio Joaquim e o ex-secretário Umberto Rodovalho eram habituês, entre tantos.
José Carlos Dias, o Zé Veneno, ex-titular da pasta de Comunicação Social de Mato Grosso, sempre foi um freqüentador assíduo deste salão masculino. Lá, em meio a uma conversa e outra, reunia-se com amigos para discutir política, futebol e até gastronomia. Sempre com uma opinião forte, Zé nunca deixou provocação sem resposta.
Luiz Alberto e Cristiano dividiam-se nas tesouras e navalhas para dar conta do recado. Mas nunca deixaram de dar palpite nas animadas conversas. Os dois faziam parte da cena. Respondões e atrevidos, eles davam o tom cômico aos debates.
Marcos Raimundo
Certo dia, Zé Veneno chegou disposto a azucrinar Cristiano, fazendo jus ao apelido. Como de costume, sentou-se na cadeira do barbeiro e pôs-se a fazer gozações. Terminando a barba, o profissional deu um singelo tapinha nas costas do secretário avisando que tinha concluído o ofício. 
- Só isso?! – reagiu Zé com desdém. “Eu pago uma puta grana aqui e é só isso?!”..., ironizou.
Com a maior paciência, Cristiano pegou uma loção e passou no rosto do cliente. Não satisfeito, ele insistiu:
- Só uma água de cheiro?...
O barbeiro pegou uma toalha quente e massageou a pele do secretário. Depois, cuidadosamente, passou um talco sobre a sua face. Mas, Zé Veneno continuou:
- Só isso?!...
Cristiano não teve dúvidas, tascou um beijo na bochecha do amigo e perguntou:
- Quer mais alguma coisa, Zé?
José Carlos deu um pulo da cadeira e protestou: “Aí você apelou”... Cristiano sorriu e se deu por vencedor.
Moral da história: quem com veneno fere, com ternura será ferido.
(*) PAULO LEITE é escritor, jornalista e publicitário e escreve às quartas e sextas para HiperNoticias.
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br
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