Quarta-feira, 13 de Maio de 2026
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

00:00:00

image
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png

00:00:00

image
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

Artigos Sexta-feira, 28 de Junho de 2019, 11:00 - A | A

facebook instagram twitter youtube whatsapp

Sexta-feira, 28 de Junho de 2019, 11h:00 - A | A

NEILA BARRETO

Francisca Faria de Paula Figueiredo: simplesmente “Chiquita”

NEILA BARRETO

 

Neila Barreto

Nascida no Rio de Janeiro (RJ), Francisca Faria de Paula Figueiredo, ficou conhecida em Cuiabá como “naturalmente a cuiabana Chiquita”. Filha de português, estudou na Suíça e veio com os pais para o Rio de Janeiro, fugindo da I Guerra Mundial e, depois de casada, para Cuiabá (MT).

Na década de 20, as mulheres eram cortejadas com muito respeito e a distância. Costumavam ficar à beira das janelas de suas casas olhando os movimentos nas ruas. Francisca era uma dessas jovens moças, na cidade do Rio de Janeiro. Nesse vai e vem de pessoas, passava pela rua da sua residência, todos os dias, um jovem garboso e conquistador. Passava silenciosamente, com o olhar fixo em sua janela, com sua barba bem-feita e, ficava a espiar aquela donzela. Francisca não percebia.

Então, suas amigas desconfiadas disseram a ela que ele (Alirio) queria namorá-la. Ela disse: “se ele pensa nisso, ele devia tirar esta barba”. Resultado: no outro dia, passava o garboso senhor com o rosto liso, declarou Lígia Faria de Figueiredo Ferreira, filha do casal ao jornalista Cláudio de Oliveira, em jornal local, em 11 de maio de 2008.

Então, Chiquita, mais tarde, casou-se com esse garboso senhor. Na verdade, o desembargador Alirio de Figueiredo, um cuiabano que, como tantos jovens da sua época, foi fazer o curso de direito, no Rio de Janeiro. E, aquela moça culta, que falava o francês fluentemente, proveniente dos ricos cantões suíços, veio morar em Mato Grosso. Primeiro, em Cuiabá, a “metrópole” de 1930.

Quando aqui chegou, pelo bairro do Porto, onde os navios se aportavam, Chiquita caminhou pela Rua Bela do Juiz, atual Rua de 13 junho, até a casa de uma cunhada. Com um olhar atento, os seus olhos fotografaram aquela cidade que acabara de conhecer e, de forma especial.

Tempos depois, esses momentos foram testemunhados assim, à jornalista Adriana Nascimento: “ As ruas eram cheias de capim alto. Ao caminhar por entre as ruas, viu transitar por elas muitos porcos e perguntou ao marido: Alirio, que bicho é esse? Moça carioca de fino trato, que já havia estudado até na Suíça, não sabia que animal era aquele. O marido, pacientemente, explicou-lhe de que animal se tratava e, o porquê de os mesmos serem criados livres, em uma pequena cidade, onde todos se conheciam e onde todos compartilhavam do mesmo espaço, diferente de hoje, onde vivemos restritos a espaços cada vez mais fechados, a proteger da violência instalada em uma Cuiabá de 300 anos, assim como, outras do Brasil.

A cidade que Chiquita acabara de conhecer era a Cuiabá que, Karl Von den Steinen assim descreveu: (...) uma linda cidade balneária alemã, numa tarde de domingo, quando toca a banda militar. Imaginou encontrar-se num vilarejo da Turíngia ao constatar “a liberdade patriarcal do bom gado”, ao verificar a sem cerimônia com que porcos, cabritos e, outros animais andavam pelas ruas (...).

Chiquita adentrou Cuiabá, pelo bairro do Porto, admirou o rio Cuiabá, onde a rede de rios e seus afluentes que cortam o Estado de Mato Grosso, em todas as direções, é grande, oferecendo recursos hídricos dos mais altos. Foi e, é reservatório de inspiração para a construção cotidiana das culturas ribeirinha e urbana. Nele, as artes, a música, a literatura, a poesia, as festas, as danças têm perene fonte de inspiração.

Chiquita conheceu o bairro efervescente da cidade, de onde as festas e danças como Siriri, Cururu, São Gonçalo, as lavações de São João, a festa de São Pedro, padroeiro dos pescadores, a honra a São Benedito e ao Senhor Divino para os cuiabanos não são tradições, são vivências.

Conheceu e aprendeu a comer peixe, principalmente, os mais nobres como o pacu assado, a mojica feita do pintado com a mandioca, a pacupeva cozida acompanhada do arroz sem sal, o bagre ensopado e a piraputanga recheada com farofa de banana da terra, não são pratos típicos da culinária cuiabana, são pratos do dia-a-dia, oriundos das famílias ribeirinhas. São comidas que invadiram os lares cuiabanos e se tornaram costumes e culinárias tradicionais regional e nacional, práticas cotidianas quase invisíveis aos viajantes e desbravadores.

A dona Chiquita era pequenina e apaixonada por essas “coisas” cuiabanas. Foi exemplo de mulher, mãe, educadora, que nunca abriu a boca para reclamar de nada e, pelo contrário, sempre auxiliou em casa e esteve atenta às necessidades da sua família. Uma mulher especial não só pela idade e vivência, uma vez que ultrapassou os cem anos de idade, mas pela história de vida, onde experenciou a evolução humana ao longo do século em que houve as maiores transformações do mundo, assim como, os avanços da capital mato-grossense.

Chiquita viveu entre o vai e vem da cidade carioca e Cuiabá, mas, escolheu ficar por aqui e, depois, em Rosário Oeste (MT), onde o doutor Alirio Figueiredo veio a ser indicado juiz de direito.  Descendentes de Alirio e Chiquita constroem uma Cuiabá de 300 anos, é gente que fez, é gente que faz.

 

(*) NEILA BARRETO SOUZA BARRETO é jornalista, escritora, historiadora e Mestre em História e escreve às sextas-feiras para HiperNotíciasE-mail: [email protected] 

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.

Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.

Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM  e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.

Comente esta notícia

Sônia Maria Pinheiro Cabelho Sônia Maria 11/08/2023

A história é muito bonita e já que a esposa do Desembargador Alirio é rica poderia olhar hoje para esta rua que recebeu o nome de seu esposo e que como na época ela viu porcos andando pela rua, é o espelho do que se encontra hoje 2023, um verdadeiro chiqueiro com esgoto fétido com fezes jorrando pelo asfalto só está faltando os porcos e tenho certeza que eles vão gostar. Principalmente do Edificio Caiabi onde a podridrão toma conta. E olha que neste prédio só mora gente importante: Renilvaldo Nascimento Vereador e seu Irmão Jarbas dono do Restaurante sediado nesta mesma rua. Os jovens que vem no BAR sábado cheiram e ficam com os calçados sujos e com mal cheiro, sem contar que podem inalando o Odor fétido contrair uma doença: hepatite e outras. Será que os pais destes jovens sabem que os filhinhos tão amados, bem criados, cheirosinhos, com carro possante estão frequentando o CHIQUEIRO DO BAR DO JARBAS E DA RUA DESEMBARGADOR ALIRIO DE FIGUEIREDO?

positivo
0
negativo
0

1 comentários

Algo errado nesta matéria ?

Use este espaço apenas para a comunicação de erros