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Artigos Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012, 22:08 - A | A

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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012, 22h:08 - A | A

É outra coisa

O líder do governo na Assembléia Legislativa soltou os cachorros em cima do ex-governador. Pela primeira vez, em nove anos, alguém teve a petulância de contestar publicamente o governo passado. O governador atual ficou na sua, de Santo da Paz .....

GABRIEL NOVIS

Steffano Scarabottolo

Ibrahim Sued foi um famoso colunista social que mandou neste país nos anos dourados. Cunhou inúmeras frases, que até hoje circulam pela comunicação escrita e falada.

Como poucos, soube fazer amigos e explorar a vaidade humana. Tinha excelentes fontes. A sua coluna, no jornal de maior prestígio no Rio de Janeiro, era muito lida, e chegou a fazer, provisoriamente, um presidente da República em plena revolução.

Essa informação me foi contada pelo ministro da Justiça da época. Era adorado e temido. Uma notinha na coluna do Ibrahim era motivo de festa e de status.

A sua fama era tanta, que o sambista Jorge Veiga gravou um sucesso homenageando o Ibrahim.

O colunista terminava as suas notinhas diárias com um bordão criado por ele: “Gente fina é outra coisa”.

O ex-governador de Mato Grosso veio a Cuiabá receber o novo ministro dos Esportes, que fez questão de visitar as doze cidades sede para acompanhar o desenvolvimento das obras da Copa 2014.

A imprensa local estava ansiosa pela oportunidade de entrevistar o antigo governador, não com relação ao campo de futebol, menos ainda sobre o puxadinho do aeroporto.

Há tempos corre pela cidade que o Estado está quebrado. Um membro do primeiro escalão do governo atual, em conversa com jornalistas, admitiu que o governo atual recebeu uma herança maldita, escondida durante a quarentena, e agora revelada pelo corte de mais de um bilhão no orçamento do exercício financeiro iniciado.

O Estado está sem pagar os prestadores de serviços executados, sem previsão de recebimento, e o resultado está à vista de todos.

Os empreiteiros, em sua maioria, pararam com as obras. Os hospitais deixaram de realizar procedimentos, como é o dramático caso dos pacientes com câncer. O ano letivo em muitos municípios teve o seu início adiado por falta de salas de aula.

Não há dinheiro, é o que mais se ouve nas redondezas do poder.

O governador atual tem um excepcional controle emocional, e um estômago que nada lhe faz mal.

Sabe tim-tim por tim-tim porque estamos assim. Mesmo provocado, prefere o silêncio comprometedor a esclarecer porque vamos mal das finanças. É um político conciliador, que cede para conquistar novos espaços. Ninguém chega ao cargo que chegou por sorte. É mérito para o poder.

Na visita ao novo campo de futebol da cidade, construído onde foi implodido o Verdão, na brecha da visita, os jornalistas cercaram o ex-governador, forçando-o a responder as perguntas da pauta da mídia.

Inteligente e objetivo, logo na primeira pergunta o entrevistado desmoronou todas as demais:

“O meu governo terminou no dia 31 de março de 2010. Esse problema que o Estado enfrenta com o caixa do tesouro vazio, aconteceu após a minha saída”.

E continuou: “Em outras palavras, não tenho nada com o que hoje acontece - após quase dois anos da minha saída do governo. Quando deixei o cargo as finanças estavam em perfeito equilíbrio”.

Com relação aos precatórios, o ex-governador esclareceu que: “minha orientação foi uma. Se estourou o escândalo, batizado de cartas marcadas, não tenho conhecimento. Quem comandou as negociações da compra dos maquinários, não fui eu.”

Finalizando ele declarou: “O meu governo escolheu como transporte modal para Cuiabá o BRT, que era totalmente financiado pelo governo federal e aprovado pela FIFA. Se trocaram por um sistema três vezes mais caro, e, se para a implantação do VLT, há necessidade de pegar dinheiro emprestado, isso não é comigo”.

A entrevista acabou por aí.

Acontece que o líder do governo na Assembléia Legislativa soltou os cachorros em cima do ex-governador. Pela primeira vez, em nove anos, alguém teve a petulância de contestar publicamente o governo passado.

O governador atual ficou na sua, de Santo da Paz. O ex, por sua vez, foi duramente atingido pelas palavras que o deputado líder jogou no ventilador.

Gente fina é outra coisa.

(*) GABRIEL NOVIS NEVES é médico, professor fundador da UFMT e colaborador de HiperNoticias. E-mail: [email protected]

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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Silva 29/02/2012

Realmente a escolha do VLT foi uma cagada das maiores uma obra que jamais será terminada, Maggi saiu e a casa literalmente caiu pois terceiros e que manda no governo do Sinval.

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1 comentários

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