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Artigos Sexta-feira, 27 de Setembro de 2019, 09:29 - A | A

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Sexta-feira, 27 de Setembro de 2019, 09h:29 - A | A

NEILA BARRETO

Dra Leila Francisca de Souza: uma cidadã de Cuiabá 300 anos

NEILA BARRETO

Divulgação

Neila Barreto

Leila Francisca de Souza é cuiabana, nascida a 09 de março de 1939, filha de Benedicto Rodrigues de Souza, conhecido como célebre Totozinho, ex-atleta e árbitro de futebol de Cuiabá, e de D. Maria Domingas de Souza, com quem teve três filhos: Leila, Maria Leide e Leovaldo. Devota do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, dedicou boa parte da sua vida ao escotismo, onde se tornou chefe do grupo denominado Lobinhos. Solteira, preferiu casar-se com a vocação de servir as pessoas, principalmente, crianças e velhos.

Sobre seu pai, Leila Francisca ressaltou que “ ele se notabilizou primeiro como atleta do Paulistano e, depois, como árbitro do quadro oficial da Federação Mato-grossense de Desportos. Foi um apaixonado pelo futebol e sempre nos contava histórias fascinantes de suas atuações com a bola e com o apito. Em 1928 o papai foi convidado para jogar em São Paulo em virtude do seu bom desempenho como atleta”, além de ter sido secretário de segurança pública de Mato Grosso.

Para o escritor Evaldo de Barros, em coluna especial do jornal Diário de Cuiabá, Leila Francisca deixou boa parte da sua memória registrada, quando diz: “ Minha primeira professora foi Petita na Escola Primária Feliciano Galdino, de saudosa memória. A Petita era filha do famoso professor Feliciano Galdino que, por gerações, ensinou os jovens cuiabanos, notadamente do bairro do Porto. Depois fui para o Senador Azeredo e Escola Modelo Barão de Melgaço. O curso de admissão ao ginásio fiz na Escola 15 de março, na rua Joaquim Murtinho, na casa das queridas professoras Ana Leite, Ana Senhorinha, Galega, Stella, Marcelina etc., registrou Barros”.

Estudiosa, Leila Francisca guarda boas memórias dos seus trabalhos junto à Segurança Pública do Estado de Mato Grosso que, estudou e pesquisou com muito carinho desde a antiga Guarda Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil. Na ocasião, teve a paciência de levantar todos os processos, listá-los por assunto, para cumprir o seu planejamento de trabalho. “ Fiz tudo sozinha me entregando de corpo e alma ao trabalho. Enfrentei Delegados e Coronéis em plena Revolução com os atos institucionais vigorando. Foi um trabalho e tanto que me aproximou muito ao general Gastão Nunes da Cunha que era o primeiro a chegar apertando a mão de cada um dos funcionários: do porteiro ao pessoal do gabinete”, confessou à Evaldo de Barros.

Leila Francisca lembra emocionada de certos momentos de sua vida e fez questão de registrar a Barros, um momento de suas “lembranças de velho: “ Lembro-me, emocionada, que por ocasião do sepultamento do querido Névio Lotufo, o filho dele, Nevinho, já cego, pediu-me para cantar a canção do Lobinho. Tanto o pai Névio como o filho Nevinho eram escoteiros e, mesmo cego, o Nevinho não se esqueceu do escoteirismo. Também o seu sobrinho Evaldo, Coronel Barros, que foi comandante do 44º BIMtz – antigo 16 BC – em emocionado discurso falou da minha pessoa em solenidade da Previ da Prefeitura Municipal de Cuiabá. Até o Presidente Castelo Branco cumprimentou os escoteiros do grupo Lobinho e sempre que eles me encontram chamam-me “ chefe” Leila. Isso é gratificante e demonstra o quanto o escoteirismo contribuiu para a formação integral dessas ex-rainhas que hoje brilham nas administrações pública e privada ostentando os ensinamentos recebidos”, registrou Leila Francisca.

Leila Francisca lamenta tanta dedicação e pouco reconhecimento salarial, assim como tantos outros, vive honestamente com os seus parcos proventos de aposentadoria e, entende que ao trabalhar, ao dedicar, ao servir com presteza e honradez, o final merecia ser diferente, isto é, o velho ser melhor reconhecido, melhor remunerado.

Hoje, “o velho não tem armas. Nós é que temos que lutar por ele, conforme disse Marilena de Souza Chauí a Ecléa Bossi. Por que temos que lutar pelos velhos? Porque são a fonte de onde jorra a essência da cultura, ponto onde o passado se conserva e o presente se prepara, pois, como escrevera Walter Benjamin, só o perde o sentido aquilo que no presente não é percebido como visado pelo passado. O que foi não é uma coisa revista por nosso olhar, nem é uma ideia inspecionada por nosso espirito – é alargamento das fronteiras do presente, lembrança de promessas não cumpridas. Eis por que, recuperando a figura do cronista contra a do cientista da história, Benjamin afirma que o segundo é uma voz despencando no vazio, enquanto o primeiro crê que tudo é importante, conta e merece ser contado, pois todo dia é o último dia. E o último dia é hoje.

Mas, se os velhos são guardiões do passado, por que nós é que temos de lutar por eles? Porque foram desarmados. Ao mostrá-los, Ecléa, sua tese deixa exposta uma ferida aberta em nossa cultura: a velhice oprimida, despojada e banida. A função social do velho é lembrar e aconselhar – unir o começo e o fim, ligando o que foi e o porvir. Mas a sociedade capitalista impede a lembrança, usa o braço servil do velho e recusa os seus conselhos, afirma Chauí.

Apesar de tudo, Leila Francisca continua a prestar os seus serviços a Cuiabá e a Mato Grosso, agora como voluntária, junto ao Instituto de Promoção Humana Papa João XXIII, criado pelas ex-alunas do Colégio Coração de Jesus. Católica, pertence à irmandade Filhas de Maria Auxiliadora, é Cursilhista e atua como voluntária na Sociedade São Vicente de Paula.

Os nossos respeitos a Dra. Leila Francisca de Souza, da qual Cuiabá se orgulha em tê-la presente na cidade e, em uma Cuiabá de seus 300 anos.

 

(*)NEILA MARIA SOUZA BARRETO é jornalista, escritora, historiadora e Mestre em História e escreve às sextas-feiras para HiperNotícias 

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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