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Artigos Terça-feira, 28 de Abril de 2026, 08:45 - A | A

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Terça-feira, 28 de Abril de 2026, 08h:45 - A | A

CARLOS OZEKO

2026: a eleição que não será decidida pelos extremos

CARLOS OZEKO

O cenário de 2026 já não pode mais ser interpretado apenas como uma disputa entre nomes. O que está em curso é algo mais profundo: uma eleição de avaliação. Na prática, o eleitor brasileiro será chamado a julgar um ciclo de poder — e não apenas a escolher um sucessor. Por isso, a leitura mais precisa é tratá-la como um plebiscito político.

De um lado, existe um eleitorado consolidado em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro, forma-se um campo oposicionista que, embora fragmentado em nomes como Flávio Bolsonaro (pré-candidato apontado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro), Ronaldo Caiado e Romeu Zema, compartilha um elemento comum: a rejeição ao governo. Essa é a base real da disputa.

Os números confirmam esse desenho. Levantamento do Datafolha divulgado em abril de 2026 mostra a avaliação "ruim/péssimo" do governo na faixa de 40%, enquanto "bom/ótimo" fica em torno de 29%. No plano pessoal, o presidente registra cerca de 51% de desaprovação e 45% de aprovação. Já o PoderData, em março de 2026, aponta desaprovação entre 57% e 61% tanto ao governo quanto à imagem presidencial, com aprovação variando entre 31% e 37%. Esses dados não apenas indicam desgaste — eles revelam um espaço político aberto.

É nesse espaço que a eleição será decidida.

Quando o eleitor passa a responder à pergunta “merece continuar?”, a lógica da disputa muda. A eleição deixa de ser apenas programática e passa a ser comparativa. O voto deixa de ser uma escolha ideal e passa a ser uma escolha relativa. Isso reconfigura completamente o jogo.

Nesse ambiente, o governista parte de uma base fiel. A oposição, se organiza a partir de um sentimento mais difuso e menos estruturado, mas potencialmente expansivo. Já o “centro" cresce não por força própria, mas por ausência de definição clara nos polos.

É um crescimento por “gap”, não por identidade.

A variável mais relevante, no entanto, está no eleitor não consolidado. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril de 2026 mostra que, em cenário espontâneo, mais de 60% dos eleitores ainda não definem seu voto — número que naturalmente se reduz quando nomes são apresentados, mas que revela algo essencial: há um volume expressivo de decisão em aberto. E esse eleitor não decide por ideologia. Ele decide por percepção de risco, confiança e viabilidade.

É esse eleitor que define eleição.

O padrão de 2022 tende a se repetir, com uma diferença estrutural: o desgaste agora está com quem governa. Isso desloca o eixo da disputa. Não se trata apenas de quem propõe melhor, mas de quem erra menos. Em cenários equilibrados, a vitória não é construída exclusivamente por mérito — ela também é resultado da falha do adversário.

O eleitor médio, especialmente no ‘centro’, não busca o candidato ideal. Ele busca o candidato menos arriscado. E essa lógica torna a eleição extremamente sensível à narrativa, à estabilidade percebida e à confiança transmitida.

Esse equilíbrio aparece com clareza nas simulações de segundo turno. Levantamentos do AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgados em março de 2026, já indicam cenários apertados entre Lula e nomes como Flávio Bolsonaro, com possibilidade de empate técnico. A Genial/Quaest, no início de abril de 2026, aponta um segundo turno também em empate técnico, com 40% para Lula e 42% para Flávio, dentro da margem de erro. Já o Datafolha e a própria Genial/Quaest, ao longo do primeiro trimestre de 2026, mostram disputas na faixa de 40% a 46% para cada lado, sempre com diferenças muito próximas ou abaixo da margem. Não há folga. Não há domínio. Há disputa real.

E em eleição assim, detalhe decide.

Por isso, a leitura estratégica é objetiva: 2026 não será vencida apenas com base em quem tem mais apoio hoje, mas por quem consegue reduzir sua rejeição amanhã. A eleição não será decidida nos extremos, porque esses já estão definidos. Ela será decidida por quem ainda não decidiu.

E, nesse tipo de disputa, mais do que propostas, o que constrói vitória é confiança.

(*) CARLOS OZEKO é Arquiteto Estrategista e Data Analytics.

 

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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