Gosto de futebol. Pela tevê. No entanto, mal assisto aos jogos de times brasileiros, por tratarem seus craques como commodities, vendendo-os a rodo para fazer caixa. Mal despontam e, como soja, milho ou carnes (bovina, suína e de aves), são exportados. Muitos a preços de banana, embora atualmente valiosíssimos no mercado.
Portanto, prefiro os canais onde são transmitidos os jogos dos times pelos quais atuam, a maioria europeus. Seja na Premier League inglesa, na La Liga espanhola, na Ligue Un francesa ou na Série A italiana. Semanalmente, posso ver em campo jogadores como Enderson, Fernandinho e Gabriel Jesus; Alisson, Fabinho, Rafinha e Roberto Firmino; Lucas Moura; Jorginho e Thiago Silva; Vinicius Júnior, Marcelo, Militão e Casemiro, etc. etc.. A maioria, não vi atuar no Brasil.
Mas não era nada disso que gostaria de comentar nesta semana e sim sobre o futebol feminino brasileiro. Talvez por nunca ter atuado na área ou por não pretender ser uma enciclopédia ambulante, não sabia que o “nobre esporte bretão” praticado pelas mulheres já foi um dia proibido por nossas ciosas autoridades.
Pois é! Foi. E por durante 38 anos, entre 1941 (em plena Segunda Guerra Mundial) e 1979. Argumento: esporte incompatível com as condições de sua natureza de mãe. Já popular no país, um ano antes um amistoso entre São Paulo e Flamengo lotou o recém inaugurado Pacaembu com 65 mil torcedores. Mas a polêmica já havia sido lançada.
Não deu outra. Getúlio Vargas preferiu ficar do lado conservador e acatou o pedido de impedir sua prática. Pesou na decisão o fato de as praticantes brasileiras, ao contrário dos homens, não faziam parte da elite, mas sim às classes menos favorecidas. Eram consideradas “grosseiras, sem classe e mal cheirosas”. Às senhorinhas finas, prendadas e perfumadas cabia o papel de torcedoras. Se arrumavam para ir aos jogos, quando se tratava de futebol masculino.
O conservadorismo brasileiro não foi isolado. Na Inglaterra, as mulheres também não tiveram melhor sorte. Não foram proibidas de jogar, desde que não fossem em estádios. Em 1921, a Federação Inglesa de Futebol, para bloquear uma tendência em ascensão, baniu qualquer prática de futebol feminino em seus estádios. Há sempre uma dívida pendente.
(*) JAIRO PITOLÉ SANT'ANA é jornalista em Cuiabá.
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br
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