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Artigos Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2022, 09:06 - A | A

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Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2022, 09h:06 - A | A

JAIRO PITOLÉ

Dívidas pendentes

JAIRO PITOLÉ SANT'ANA

Reprodução

Jairo pitolé

 

Gosto de futebol. Pela tevê. No entanto, mal assisto aos jogos de times brasileiros, por tratarem seus craques como commodities, vendendo-os a rodo para fazer caixa. Mal despontam e, como soja, milho ou carnes (bovina, suína e de aves), são exportados. Muitos a preços de banana, embora atualmente valiosíssimos no mercado.

Portanto, prefiro os canais onde são transmitidos os jogos dos times pelos quais atuam, a maioria europeus. Seja na Premier League inglesa, na La Liga espanhola, na Ligue Un francesa ou na Série A italiana. Semanalmente, posso ver em campo jogadores como Enderson, Fernandinho e Gabriel Jesus; Alisson, Fabinho, Rafinha e Roberto Firmino; Lucas Moura; Jorginho e Thiago Silva; Vinicius Júnior, Marcelo, Militão e Casemiro, etc. etc.. A maioria, não vi atuar no Brasil.

Mas não era nada disso que gostaria de comentar nesta semana e sim sobre o futebol feminino brasileiro. Talvez por nunca ter atuado na área ou por não pretender ser uma enciclopédia ambulante, não sabia que o “nobre esporte bretão” praticado pelas mulheres já foi um dia proibido por nossas ciosas autoridades.

Pois é! Foi. E por durante 38 anos, entre 1941 (em plena Segunda Guerra Mundial) e 1979. Argumento: esporte incompatível com as condições de sua natureza de mãe. Já popular no país, um ano antes um amistoso entre São Paulo e Flamengo lotou o recém inaugurado Pacaembu com 65 mil torcedores. Mas a polêmica já havia sido lançada.

Não deu outra. Getúlio Vargas preferiu ficar do lado conservador e acatou o pedido de impedir sua prática. Pesou na decisão o fato de as praticantes brasileiras, ao contrário dos homens, não faziam parte da elite, mas sim às classes menos favorecidas. Eram consideradas “grosseiras, sem classe e mal cheirosas”. Às senhorinhas finas, prendadas e perfumadas cabia o papel de torcedoras. Se arrumavam para ir aos jogos, quando se tratava de futebol masculino.

O conservadorismo brasileiro não foi isolado. Na Inglaterra, as mulheres também não tiveram melhor sorte. Não foram proibidas de jogar, desde que não fossem em estádios. Em 1921, a Federação Inglesa de Futebol, para bloquear uma tendência em ascensão, baniu qualquer prática de futebol feminino em seus estádios. Há sempre uma dívida pendente.

(*) JAIRO PITOLÉ SANT'ANA é jornalista em Cuiabá.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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