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Perdemos o primeiro round; em nenhuma das doze sedes as obras ficaram todas prontas a contento para o início do evento. Nem mesmo as ligadas diretamente ao compromisso firmado com a FIFA tiveram cumprimento de prazo e em muitas sedes sequer chegou a sua conclusão. O que falar das demais obras relacionadas ao evento... Pelo Brasil todo tem empreiteiras em atividade mesmo depois da Copa encerrada. E ainda bem, pois se pararem agora será pior. Mas este temor ainda existe em muitas das cidades que sediaram jogos.
Ainda teremos a etapa da aprovação de contas. Alguém duvida que notícias de corrupção, superfaturamento e obras de baixa qualidade irão ganhar destaque? Tribunais de Contas, Ministério Público, população e adversários políticos terão muito trabalho pela frente. A própria campanha política que agora pega no tranco deve evidenciar muitos dos quesitos por ora citados.
O segundo round ganhamos; o evento em si foi um grande espetáculo. É a Copa das Copas, principalmente pela extensão; o Brasil parece mais um continente que um país e a Copa abarcou todos os pontos cardeais. O povo soube como ninguém receber o turista e fazer com ele a festa das festas. Um grande congraçamento reunindo 32 países e 203 nações que, mesmo não tendo sua seleção na disputa, por estas terras passou.
O terceiro round um sucesso; vitória absoluta do futebol. Grandes jogos, surpresas fantásticas: Costa Rica, Argélia, Chile e Colômbia fizeram jogos fantásticos. Emoção foi o que não faltou. Esta Copa teve o maior número de prorrogações, igualando a de 1990. Seleções campeãs como Itália, com quatro títulos, Inglaterra e a última campeã, Espanha, se despediram na primeira fase. O jogo Uruguai e Inglaterra, ainda na primeira fase, a meu ver, foi um espetáculo de futebol e emoção juntos. Aliás, os jogos da primeira fase foram mais espetáculo e os de mata-mata foram de emoções fortes.
Quarto round: seleção brasileira, o que falar? Perdemos não apenas a Copa como parte de nossa história de cem anos ficou manchada. Uma seleção sem padrão tático, que não fez uma única partida empolgante, mesmo as que venceu não convenceu o torcedor. As derrotas para a Alemanha e para a desmotivada Holanda mostraram o quanto precisamos inovar e renovar. Não nas pessoas, mas sobremaneira nas ideias. Não dá para viver de história e camisa. Nossos dirigentes esportivos estão fora deste e de seus tempos.
A final: a decisão fantástica, sul americanos versus o planejamento, a organização e a determinação alemã. Uma lição de quem se preparou durante doze anos para conquistar um título. Ficou um grande aprendizado: planejamento e organização dão resultado em todas as áreas da vida, inclusive na esfera pública.
Que os fatos e as lições dentro do campo nos sirvam de exemplo. Que não percamos a simpatia e o bem receber, mas que a gente aprenda com os demais países que venceram pelo planejamento, pela honestidade de seus trabalhos e não pelo jeitinho, pela manha, pela malandragem ou pelo improviso.
Não sei se nós, os nascidos há mais de 45 anos, veremos outra Copa no Brasil, mas que os ensinamentos deste grande evento nos sirvam de aprendizado. Se empatamos no round do sucesso do evento, ainda precisamos, antes do campo, sermos campeões, pelo menos, em segurança, educação e saúde. Isso é possível, mas precisamos mudar nosso comportamento com as coisas públicas, com aquilo que é patrimônio público.
Viva o povo brasileiro! Viva as nações e os jogadores que proporcionaram aquilo que talvez seja lembrado como a maior e o mais lindo campeonato mundial de seleções!
*JOÃO EDISOM DE SOUZA é analista político, professor universitário em Mato Grosso e colaborador de HiperNotícias.
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M. Mattos 17/07/2014
Parabéns ao articulista pela coerência e serenidade com que soube enfocar todos os aspectos ligados com a copa do mundo, sem personalismo nem ideologia a favor ou contra o que for. Dos muitos artigos que tenho lido sobre o assunto foi o mais coerente e racional e identifiquei-me de imediato com o seu conteúdo da mensagem do Professor João Edisom.
1 comentários