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Artigos Quinta-feira, 19 de Março de 2026, 09:17 - A | A

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Quinta-feira, 19 de Março de 2026, 09h:17 - A | A

CAMILO VALENZUELA

AAs agem com prudência ao evitar velhos caminhos contra as recaídas

CAMILO VALENZUELA

Na Irmandade de Alcoólicos Anônimos, um dos lemas mais repetidos e cheio de significados é: “Velhos Caminhos Conduzem a Velhos Lugares”. A frase, simples à primeira vista, carrega uma profunda orientação prática para quem deseja manter a sobriedade. Ela recorda ao alcoólico que, se continuar agindo como antes, muito provavelmente acabará onde sempre terminou: no sofrimento da recaída.

Durante anos, muitos membros percorreram os mesmos trajetos, frequentaram os mesmos bares, cultivaram as mesmas companhias e repetiram os mesmos padrões emocionais. Esses caminhos, quase sempre tinham um destino certo: a bebida.

Ao ingressar em A. A., o membro aprende que mudar o resultado exige mudar também as rotas. A correção de rota, para o alcoólatra, é uma coisa simplesmente imprescindível.

Proteger-se é um ato de responsabilidade consigo mesmo. Evitar situações de antigamente não significa fraqueza, mas sabedoria. Há relacionamentos, músicas, ambientes, conversas, festas de um modo geral, e até horários do dia que funcionam como gatilhos poderosos. Retornar a eles sem necessidade pode reacender velhos impulsos adormecidos. É sempre melhor prevenir do que remediar. Se eu sei de uma situação de risco, acho melhor evitá-la.

Em A. A., costuma-se dizer que nada é proibido ao alcoólico. Ele não vive sob vigilância nem sob regras impostas. Entretanto, recomenda-se que tenha sempre um bom motivo para estar em lugares que lembram as bebedeiras de outrora. Se houver uma razão justa, clara e equilibrada, e se ele estiver espiritualmente fortalecido, se se fizer acompanhar por um companheiro de A. A., talvez possa ir e voltar ileso. Mas a prudência recomenda que ele mantenha-se sempre atento e vigilante.

Por outro lado, se não há motivo consistente para entrar em um boteco que vende pinga, e uma gama variada de bebidas alcoólicas, o mais prudente é evitar o ambiente. Não se trata de medo do local, mas de respeito à própria condição. Velhos caminhos — o bar da esquina, a roda de “amigos” de copo, a mesa cativa — podem conduzir a velhos comportamentos. E sabe-se que, de modo quase automático, velhos comportamentos levam a velhas bebedeiras. E bebedeiras a gente sabe como começa, mas nunca como terminam.

Esse cuidado não se aplica apenas a lugares físicos. Situações de intensa alegria também exigem atenção. O preço da liberdade é a eterna vigilância. Precisamos estar alertas de modo a sabermos quando é hora necessária para administrarmos o êxtase e a tragédia. O êxtase pode despertar a velha ideia de “comemorar com um gole”. Da mesma forma, a tragédia, seguida de profunda tristeza, pode sugerir o antigo refúgio no álcool para anestesiar a dor.

O lema serve como alerta constante: emoções extremas mexem com o equilíbrio.

Momentos de raiva, frustração ou solidão podem empurrar o membro de volta aos velhos atalhos mentais. Se ele reage hoje como reagia ontem, poderá colher as mesmas consequências.

Mudar caminhos significa adotar novas práticas: telefonar para o padrinho, ir a uma reunião, orar, refletir antes de agir. Quer dizer, escolher companhias saudáveis e ambientes seguros. Significa, sobretudo, reconhecer que a sobriedade é prioridade. Este lema não é ameaça, é orientação amorosa. É um convite diário à vigilância e à humildade. Ao trilhar novos caminhos, o alcoólico descobre que também existem novos destinos: serenidade, dignidade e liberdade.

(*) CAMILO VALENZUELA é nome fictício em respeito à tradição do Anonimato.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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