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AgroHiper Sexta-feira, 09 de Outubro de 2026, 09:48 - A | A

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EM MATO GROSSO

Hora Técnica debate estratégias para o manejo de plantas daninhas

Pesquisador destaca importância de considerar características de cada área e equilibrar estratégias para evitar perdas de produtividade

REDAÇÃO

PODCAST APROSOJA

O quadro Hora Técnica, do Apro360, podcast da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), recebeu, nesta quinta-feira (08.10), o consultor e pesquisador da Lucrativa Consultoria, Autieres Teixeira Faria, para discutir um dos principais desafios enfrentados pelo produtor rural: o manejo de plantas daninhas e os impactos que a escolha das estratégias de controle pode causar na produtividade.

Durante o episódio, o pesquisador destacou que as pesquisas desenvolvidas nas estações buscam reproduzir as condições encontradas no campo, considerando as diferenças entre as regiões de Mato Grosso.

“Muitos dos dados que trouxemos aqui hoje contemplam os principais desafios que temos atualmente em Mato Grosso. A gente também tentou dar uma certa cobertura para diferentes regiões do estado, porque entende que temos uma variação climática muito grande. Enquanto, às vezes, a região Norte recebe mais chuva, a região Sul está mais seca. Então, precisamos contemplar essas diferenças também”, destaca Autieres.

A partir dessa realidade, Autieres ressaltou que o manejo de plantas daninhas não deve se basear apenas no uso de mais produtos. Segundo ele, é necessário combinar diferentes estratégias e considerar o conhecimento que o produtor já possui sobre a propriedade.

“Nós precisamos ser criativos e inteligentes dentro da nossa estratégia de manejo. Não é simplesmente comprar mais um produto. Comprar produtos é gastar mais. Nós precisamos equilibrar as estratégias. Hoje, se você utilizar o produto errado, você perde. E isso é algo que não queremos na prática. Então, precisamos ter essa inteligência estratégica e provocar os produtores a utilizarem o maior conhecimento que eles têm: a experiência na própria área. Quem mais conhece a fazenda é o produtor. Ele sabe onde estão os problemas, onde chove primeiro, onde tem problema de nematoide, onde está o solo mais arenoso. Essa experiência precisa ser considerada. Se ele tentar pegar uma receita pronta e encaixá-la de forma geral na fazenda, não vai conseguir. E, quando a gente fala em uma estratégia inteligente, também precisamos trabalhar dentro do nosso sistema de produção”, ressaltou o pesquisador.

Outro ponto discutido durante o episódio foi o uso de misturas de produtos para o controle de plantas daninhas. Embora possam apresentar resultados expressivos no controle, Autieres chamou a atenção para a necessidade de avaliar também os efeitos dessas combinações sobre a cultura e a produtividade.

“No ano passado, nós fizemos uma mistura de S-metolacloro com sulfentrazone. O controle na pesquisa foi espetacular. A soja veio e se desenvolveu normalmente até o momento da colheita. Eu até brinquei na época: “Nossa, se fosse uma empresa, eu criaria essa mistura. Ela é muito boa”. Tivemos 25 sacos de soja a menos no tratamento em comparação com a área limpa. Ou seja, o controle foi muito bom, mas a produtividade não foi. Então, a ideia é trabalhar de forma parcelada, reforçando o residual e evitando esse efeito fitotóxico para as culturas que a gente tem”, alertou.

Autieres também abordou durante a entrevista o uso de moléculas pré-emergentes no manejo de plantas daninhas. O pesquisador explicou os desafios relacionados à utilização dessas ferramentas e a necessidade de considerar as condições específicas de cada área antes da escolha da estratégia.

“Inicialmente, isso parece um aumento de custo, mas, considerando tudo o que temos no nosso estado hoje, eu não plantaria nenhuma cultura sem utilizar alguma molécula em pré-emergência, porque a gente não sabe o que pode ter ali. Qual é a melhor forma de se prevenir? Às vezes, trabalhar com um pré-emergente mais em conta. Se a área é muito limpa e não apresenta grandes problemas, não precisa aumentar muito o custo. E, quando chegar na pós-emergência, às vezes, mesmo com poucos problemas, se eu tiver uma semente de caruru que veio naquela carga e que pode contaminar o produto para quem vai recebê-lo, isso pode gerar um problema. Hoje existem armazéns que não estão recebendo cargas com determinadas contaminações. Então, não é só pela produtividade. É também para evitar dor de cabeça lá na frente. Por isso, é melhor trabalhar de forma preventiva”, explicou Autieres Faria.

O episódio do Hora Técnica integra a programação do Apro360 voltada à divulgação de conhecimento técnico e à discussão de temas que fazem parte da rotina do produtor rural, aproximando especialistas e pesquisadores das demandas encontradas no campo.

 

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