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Quem era Bonnie Tyler, cantora de 'Total Eclipse of the Heart', que morreu aos 75 anos

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

A voz rouca de Bonnie Tyler transformou "Total Eclipse of the Heart" em um dos maiores clássicos da música pop e fez da cantora uma das artistas britânicas mais populares dos anos 1980. A artista morreu aos 75 anos em um hospital em Portugal, onde estava em tratamento para uma doença, informou a família nesta quinta-feira, 9.

Bonnie estava internada em estado grave na UTI desde meados de junho, após sair de um coma induzido. Em maio, ela passou por uma cirurgia intestinal de emergência e, no dia seguinte, sofreu uma parada cardiorrespiratória.

Quem era Bonnie Tyler?

Batizada como Gaynor Hopkins, no País de Gales, Bonnie Tyler se tornou uma das artistas britânicas de maior sucesso comercial das décadas de 1970 e 1980. Dona de uma voz rouca e potente, transformou o timbre marcante em sua principal assinatura e construiu uma carreira baseada em baladas dramáticas e produções grandiosas que misturavam rock, pop e influências country.

Filha de um mineiro de carvão, ela nasceu e cresceu em uma habitação social em Skewen, no sul do País de Gales, a cerca de 11 quilômetros de Swansea. A casa da família tinha banheiro externo, e ela dividia a infância com três irmãs e dois irmãos.

Desde cedo, demonstrou paixão pela música. Era fã dos Beatles e teve como primeiro disco "A Hard Day's Night". Aos 13 anos, comprou seu primeiro compacto, "Hippy Hippy Shake", da banda Swinging Blue Jeans. Também acompanhava religiosamente o programa musical Top of the Pops, conforme relatou na autobiografia Straight From the Heart. Ela gravava as apresentações em um gravador de rolo de duas pistas para ouvir novamente e anotava à mão as letras de suas músicas favoritas, de artistas como Janis Joplin, Nina Simone, Tina Turner, Wilson Pickett e Otis Redding.

Antes da fama, Tyler cantava em bandas locais. Em 1976, precisou passar por uma cirurgia para remover nódulos nas cordas vocais. Durante a recuperação, desrespeitou a recomendação médica de permanecer em repouso e voltou a cantar antes do tempo. O esforço alterou permanentemente sua voz, dando origem ao timbre rouco que mais tarde se tornaria sua marca registrada.

Na época, ela se apresentava com o nome Sherene Davis e era vocalista de uma banda de soul. Foi descoberta pelo caçador de talentos Roger Bell, que a levou para Londres para gravar demos. Após um período em busca de uma gravadora, assinou contrato com a RCA, que também sugeriu a adoção do nome artístico Bonnie Tyler.

Seu álbum de estreia, "The World Starts Tonight" (1977), trouxe o primeiro sucesso comercial, "Lost in France", e lhe rendeu uma indicação na categoria de artista revelação do Brit Awards. No ano seguinte, alcançou o terceiro lugar nas paradas britânicas com "It's a Heartache", consolidando seu nome internacionalmente.

Após um período de menor destaque, Tyler assinou com a Sony e buscou reinventar a carreira. Ao assistir a uma apresentação de Meat Loaf interpretando "Bat Out of Hell" na BBC, ficou impressionada com o estilo grandioso das composições de Jim Steinman. Decidida a trabalhar com ele, pediu uma oportunidade ao compositor e produtor, parceria que daria origem, anos depois, ao maior sucesso de sua trajetória.

'Total Eclipse of the Heart'

Steinman apresentou a ela sua canção "Total Eclipse of the Heart", que se tornaria o single de estreia de seu quinto álbum de estúdio, "Faster Than the Speed of Night". Ele pegou emprestado um dos versos da música "Turn around, bright eyes" de seu musical de 1969, "The Dream Engine", escrito quando era estudante na Amherst College, em Massachusetts. O compositor disse a ela que a canção era de uma possível versão musical de "Nosferatu".

Com a participação de Roy Bittan no piano e Max Weinberg na bateria, membros da E Street Band, "Total Eclipse" é uma reflexão sobre o amor perdido: "Era uma vez, havia luz na minha vida/Mas agora só existe amor na escuridão", ela canta.

O vídeo, um clássico dos primórdios da MTV, foi gravado em um antigo e assustador manicômio gótico em Surrey, onde, aparentemente, os cães de guarda não entravam nos cômodos do andar de baixo, onde costumavam aplicar eletrochoques nos pacientes.

As imagens incluíam pombas sendo lançadas em câmera lenta, velas, ninjas e jovens rebeldes dançando, Tyler com ombreiras assustadoramente grandes, esgrimistas, ginastas, máquinas de vento e garotos sem camisa usando óculos de natação sendo encharcados com água.

"Faster Than the Speed of Night" recebeu uma indicação ao Grammy de melhor performance vocal de rock, perdendo para "Love Is a Battlefield" de Pat Benatar, e Tyler recebeu outra indicação por "Total Eclipse of the Heart" na categoria de melhor performance vocal pop, perdendo para "Flashdance - What a Feeling" de Irene Cara.

Após o Eclipse

Embora nunca tenha repetido o sucesso estrondoso de "Total Eclipse of the Heart", Bonnie Tyler manteve a carreira em evidência nas décadas seguintes. Entre seus trabalhos mais conhecidos desse período estão os singles "Holding Out for a Hero", que integrou a trilha sonora de Footloose (1984), e "Here She Comes", do filme Metrópolis (1984).

Em 2013, a cantora voltou às raízes country ao gravar, em Nashville, o álbum Rocks and Honey. O disco traz o dueto "What You Need From Me", com Vince Gill, e a balada "Believe in Me", composta por Desmond Child, Lauren Christy e Christopher Braide. A música foi escolhida para representar o Reino Unido no Festival Eurovisão da Canção daquele ano, realizado na Suécia.

Quatro anos depois, em 2017, Tyler participou de uma apresentação inusitada ao lado da banda DNCE, liderada por Joe Jonas, a bordo do navio de cruzeiro Oasis of the Seas. Durante um evento organizado para acompanhar um eclipse solar total, ela interpretou "Total Eclipse of the Heart" exatamente no momento em que a Lua encobriu o Sol.

Seu álbum mais recente de estúdio, Between the Earth and the Stars, lançado em 2019, reuniu duetos com Rod Stewart, Cliff Richard e Francis Rossi, vocalista da banda Status Quo. No mesmo ano, Bonnie Tyler também participou de um concerto de Natal no Vaticano diante do papa Francisco.

Em 2023, Tyler foi homenageada pelo rei Charles III com o título de membro da Ordem do Império Britânico (MBE, na sigla em inglês) por suas contribuições artísticas.

Na vida pessoal, a cantora era casada com Robert Sullivan, empresário do setor imobiliário e ex-atleta olímpico de judô.

Relação com o Brasil

Bonnie Tyler também teve forte ligação com o público brasileiro. Em 1987, gravou ao lado de Fábio Jr. a música "Sem Limites pra Sonhar", sucesso no País na década de 1980.

"Me lembro de ele Fábio Jr. ser um homem muito bonito que me deu um anel lindo de ouro com pedras cravejadas. Ele era absolutamente lindo. Não consigo me lembrar da música agora, mas éramos número 1 no Brasil. Isso foi muito empolgante", relembrou a cantora em entrevista ao Estadão realizada em 2022, quando ela realizou uma turnê brasileira comemorando 50 anos de carreira. (*Com informações da Associated Press)

(Com Agência Estado)

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