No início dos anos 1980, a Argentina vivia um período de repressão contra pessoas homossexuais, em meio à ditadura militar e à Guerra das Malvinas, conflito travado contra o Reino Unido em 1982. "Os gays eram proibidos de existir", afirmou Claudia. Segundo ela, policiais que circulavam em carros pretos abordavam pessoas suspeitas de serem gays e as levavam para serem agredidas. "Como você julga uma pessoa andando na rua?", questionou.
A atriz contou que estava em um restaurante com um grupo de 19 homens gays quando policiais entraram no estabelecimento. "Eu estava sentada com 19 gays em volta de mim. Só eu de mulher, com uma maquiagem inaceitável. Perguntaram para mim e meu amigo me falou: 'Não fala em espanhol. Fala em português e que é brasileira'. Eu disse que era brasileira e estava lá passeando", relembrou.
Claudia disse que sua aparência chamava a atenção e que havia uma foto sua de biquíni exposta em frente ao teatro onde se apresentava. "Imagina, eu estava com cílios deste tamanho, toda purpurinada", contou.
Apesar de ser brasileira, mulher e menor de idade, a atriz afirmou que também foi levada pelos policiais. ""Me levaram e foi uma loucura. Eu e 19 gays. Estava preocupadíssima com meus amiguinhos gays", disse. Segundo ela, foi liberada no mesmo dia, enquanto os amigos permaneceram presos.
Claudia afirmou ainda que continua sendo identificada pelas autoridades argentinas quando visita o país. "Sou fichadíssima", declarou.
(Com Agência Estado)
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