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Política Terça-feira, 06 de Outubro de 2026, 19:55 - A | A

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Terça-feira, 06 de Outubro de 2026, 19h:55 - A | A

HNT ENTREVISTA

João Edisom atribui derrota de Wellington a falta de coerência ao aproximar PL do MDB

Para o cientista político, eleitor da direita não enxergou autenticidade no candidato ao governo e destacou volume de votos recebidos por Medeiros, Samantha e esposa de Cláudio Ferreira, que ficaram distantes de Fagundes

CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

ASSISTA AO HNT ENTREVISTA COM JOÃO EDISOM

Para o cientista político João Edisom, a aproximação entre PL e MDB foi o principal fator que contribuiu para a derrota da chapa ao governo liderada pelo senador Wellington Fagundes (PL). Na avaliação dele, a aliança provocou uma percepção de falta de coerência política em1 parte do eleitorado de direita. Segundo João Edisom, eleitores identificados com o bolsonarismo esperavam uma candidatura mais alinhada ao discurso sustentado pelo PL nos últimos anos.

"A política não quer nada morno nesse momento. A política quer autenticidade", afirmou.

O cientista político lembrou que PL e MDB estiveram em lados opostos na eleição para a Prefeitura de Cuiabá em 2020, quando o atual prefeito Abilio Brunini (PL) disputou o cargo contra o ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD), que à época estava filiado ao MDB.

O pessoal do PL precisa ouvir melhor o Abilio

Na eleição de 2022, Abilio foi eleito deputado federal  "batendo na gestão Emanuel", destacou João Edisom. Dois anos depois, voltou a enfrentar o grupo político do ex-prefeito na disputa à Prefeitura e venceu a eleição.

Para João Edisom, essa trajetória de confronto pesa na percepção do eleitor quando o PL passa a dividir a mesma coligação com o MDB.

"A gente precisa lembrar o discurso do Abilio e do Medeiros desde o começo. Eles estavam 100% nessa posição. Se eu passei a vida criticando o MDB e, de repente, estou grudado nele, o eleitor pode entender isso como falta de coerência", avaliou.

Daniel Souza/TV HNT

João Edisom

O cientista político João Edisom analisou ao HNT Entrevista quais os impactos em Mato Grosso do primeiro turno das eleições 2026.

DERROTA DE WF EM RONDONÓPOLIS

O cientista político também citou o desempenho de candidatos do PL e de partidos alinhados à direita como indicativo da força desse eleitorado. Entre os exemplos estão a primeira-dama de Cuiabá e vereadora Samantha do Abilio (PL), quarta candidata mais votada para a Assembleia Legislativa (ALMT),  e o deputado federal José Medeiros (PL), eleito para o Senado com 977.777 votos - o equivalente a 27,35%. 

João Edisom também chamou atenção para o resultado em Rondonópolis (212 km de Cuiabá), cidade considerada como principal base política de Wellington. O senador construiu sua trajetória no município e teve a cidade como foco da campanha. Ainda assim, o resultado local evidenciou dificuldades na transferência de votos.

Wellington teve cerca de 31% dos votos para governador em Rondonópolis. Na disputa pelo Senado, José Medeiros alcançou 31,67% dos votos válidos no município, praticamente empatado com Mauro Mendes, que obteve 32,06%.

O desempenho também é analisado por João Edisom em conjunto com a votação da primeira-dama de Rondonópolis, Alessandra Ferreira (Podemos), eleita deputada estadual com 50.802 votos.

A esposa do prefeito estourou de votos e WF não foi bem votado

Para o cientista político, o resultado de Alessandra deve ser observado pelo PL, especialmente porque o marido dela, o prefeito Cláudio Ferreira (PL), decidiu apoiar a candidatura à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), abandonando Wellington.

"O candidato a governador do PL era de Rondonópolis. O prefeito de Rondonópolis era do PL e, na cidade, ele não conseguiu garantir Wellington por uma questão de coerência. Resultado: a esposa do prefeito estourou de votos e Wellington não foi bem votado", ressaltou.

"PL PRECISA OUVIR ABILIO"

Ao analisar o desempenho do PL nas eleições, João Edisom defendeu que o partido deve observar as estratégias eleitorais de Abilio. Embora, para ele, o prefeito possa ser questionado em diferentes aspectos, o cientista político considera que Abilio demonstrou capacidade de interpretar o comportamento do eleitorado de direita.

"O pessoal do PL precisa ouvir melhor o Abilio. Você pode questionar o Abilio em um punhado de coisas, mas eu acho que ele é uma grande cabeça pensante quando você fala em eleição", concluiu.

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