A Câmara Municipal de Cuiabá arquivou, nesta quinta-feira (16), o Projeto de Lei que visava instituir a "Semana de Valorização da Paternidade e do Homem". A proposta, de autoria do vereador Adevair Cabral (Solidariedade), surge em um momento onde a pauta de gênero é dominada pelo crescimento dos índices de violência contra a mulher em Mato Grosso, sendo dois feminicídios em Cuiabá e 13 mortes em todo estado, apenas nos primeiros meses deste ano.
O projeto buscava incluir no calendário oficial do município uma semana dedicada a promover o papel do homem na sociedade e na família, destacando o que descrevia como "virtudes tradicionalmente associadas ao homem", como a força e a determinação. Além do viés simbólico, o texto trazia pontos relevantes de saúde pública e psicologia, como o incentivo ao combate ao câncer de próstata e o estímulo ao apoio psicológico para homens, visando superar estigmas que contribuem para o adoecimento mental masculino.
A justificativa defendia a necessidade de fomentar uma "masculinidade saudável" e fortalecer a presença paterna ativa e afetiva. Contudo, o foco na "valorização" e na exaltação de virtudes tradicionais gerou questionamentos sobre a prioridade da agenda legislativa diante de urgências mais letais.
Embora o projeto abordasse questões legítimas de saúde e responsabilidade familiar, sua tramitação ocorreu sob a sombra de estatísticas brutais. Fora do escopo dos documentos oficiais citados, mas de conhecimento público e fundamental para o contexto desta análise, Cuiabá enfrenta uma escalada de violência de gênero, já que em 2025 foram registrados 4 feminicídios na capital, e apenas nos primeiros meses de 2026, já contabilizamos 2 mortes.
Nesse cenário, a crítica que recai sobre iniciativas como a "Semana do Homem" é a de um possível descompasso entre a produção legislativa e a dor da população feminina. Por um lado, é necessário reconhecer que o projeto tentava tocar em feridas sociais importantes, como o abandono paterno e a negligência com a saúde masculina, fatores que também impactam a dinâmica familiar. Por outro, a decisão pelo arquivamento sugere que o Legislativo Cuiabano pode estar reavaliando o tom de suas políticas de gênero.
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