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Política Terça-feira, 11 de Agosto de 2026, 16:19 - A | A

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Terça-feira, 11 de Agosto de 2026, 16h:19 - A | A

POR "LEALDADE"

Alvo da PF, Mauro Carvalho pede exoneração e diz que sai com consciência tranquila

Ex-secretário afirma que decisão foi pessoal e tomada em conjunto com a família e Pivetta; STF negou pedido da PF para afastá-lo do cargo

RAYNNA NICOLAS, CAMILA RIBEIRO
Da Redação

Bianca Mortelaro/HNT

O ex-secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, em destaque e ao fundo o governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

O ex-secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, em destaque e ao fundo o governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

O empresário Mauro Carvalho apresentou, na tarde desta terça-feira (11), carta de renúncia ao cargo de secretário-chefe da Casa Civil. Alvo da Operação Heritage, ele afirmou que a saída não foi provocada por pressão do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), mas uma decisão pessoal tomada em conjunto com a família para se dedicar aos negócios e acompanhar a própria defesa na investigação.

"Não saio, portanto, por determinação judicial. Saio por decisão tomada por mim em conjunto com a minha família e com o Governador do Estado", afirmou Mauro Carvalho na carta.

LEIA MAIS: Pivetta desmente exoneração de Mauro Carvalho após secretário ser alvo de operação

A Polícia Federal havia requerido o afastamento de Mauro Carvalho da Casa Civil. O pedido, contudo, foi negado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) no sentido de que não havia indícios de utilização do cargo para atividades ilícitas.

Na carta, o ex-secretário destacou que a investigação ainda está em fase de apuração e afirmou que não foi denunciado, processado criminalmente ou condenado.

"Isto é uma investigação — e investigação não é condenação. Não fui denunciado, não estou sendo processado criminalmente e não fui condenado", escreveu.

Mauro Carvalho afirmou que sua saída ocorre pelo mesmo motivo que o levou a retornar à Casa Civil: lealdade ao grupo político. Ele lembrou que havia deixado o serviço público e não pretendia reassumir um cargo no Executivo.

Segundo ele, em dezembro de 2025 recebeu um novo convite de Otaviano Pivetta e do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil). Inicialmente, recusou a proposta, mas acabou aceitando e assumiu novamente a Casa Civil em abril deste ano.

"Respondi sim, por gratidão e por lealdade a um grupo político do qual nunca me afastei. Saio hoje pela mesma razão pela qual entrei: lealdade", escreveu.

NEGOU ENVOLVIMENTO EM ACORDO COM A OI

Um dos principais argumentos apresentados por Mauro Carvalho para se defender das suspeitas investigadas pela Operação Heritage é que ele não ocupava cargo público no período em que tramitou o acordo entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi.

"Entre dezembro de 2023 e abril de 2024 — período em que tramitou o processo da Oi — eu já não ocupava nenhum cargo público, nem federal nem estadual, de modo que não poderia influenciar em absolutamente nada a decisão de firmar ou não o acordo", afirmou.

O ex-secretário também negou ter participado do acordo ou recebido qualquer benefício decorrente da negociação.

"Não participei do acordo e não me beneficiei. Nenhum recurso originário do acordo firmado com a Oi foi utilizado em benefício próprio ou da minha família", declarou.

Carvalho afirmou ainda que os recursos aportados por sua família nas empresas das quais participa são provenientes do próprio grupo empresarial.

"Tenho a convicção de que, ao final do processo, o caso será esclarecido e a minha inocência e a da minha família comprovadas", completou.

RELAÇÃO COM MAURO MENDES

Mauro Carvalho ocupou a Casa Civil durante a gestão do ex-governador Mauro Mendes. Ele deixou o cargo em 2023 para assumir temporariamente uma cadeira no Senado Federal, como suplente de Wellington Fagundes (PL), que se afastou para realizar uma cirurgia.

Após o período no Senado, Fábio Garcia (União Brasil) assumiu a cadeira. Carvalho afirmou que não pretendia retornar ao Executivo, mas aceitou o novo convite feito por Pivetta e Mauro Mendes após a renúncia do ex-governador para disputar as eleições de 2026.

O ex-secretário também manifestou solidariedade ao procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, e ao deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), que também foram citados no contexto da Operação Heritage.

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