O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), voltou a cobrar uma solução para o impasse envolvendo o território onde está sendo construído o novo Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM). Durante coletiva nesta sexta-feira (4), o gestor afirmou que existe diálogo com os envolvidos, mas criticou a falta de medidas concretas por parte dos deputados estaduais para resolver a situação.
“Diálogo tem. Falta ação”, resumiu Abilio ao comentar o caso.
O impasse teve origem na aprovação, pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), de mudanças territoriais que incluíram a área onde está sendo construído o novo hospital no território de Santo Antônio de Leverger. A alteração provocou reação de Cuiabá e, posteriormente, foi reconhecida como um erro no texto do projeto, com a sinalização de que o trecho referente ao hospital seria corrigido.
Segundo Abilio, enquanto a situação não é solucionada, ele poderia adotar uma postura mais dura e pedir a paralisação das obras, mas afirma que não pretende tomar essa medida para evitar prejuízos ao andamento do empreendimento.
“Eu poderia pedir para parar a obra, mas não vou fazer isso porque isso vai causar prejuízo”, afirmou.
O prefeito disse ainda que diferentes instituições envolvidas no projeto compreendem que a situação precisa ser revista. Entre elas estão o próprio hospital, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Governo do Estado e o município.
DISPUTA TERRITORIAL
A transferência territorial do local onde está sendo construído o HUJM ocorreu no contexto de uma discussão de quase duas décadas envolvendo Santo Antônio de Leverger e Cuiabá. A Assembleia aprovou a reincorporação de áreas e comunidades historicamente reivindicadas pelo município, incluindo o território onde está a obra do hospital.
O caso ganhou dimensão política depois que Abilio classificou a mudança como um “ataque” contra Cuiabá. O presidente da ALMT, Max Russi (Podemos), rebateu o prefeito e afirmou que ele havia se equivocado, mas reconheceu que havia um erro no texto aprovado.
Na ocasião, Max afirmou que o projeto seria corrigido para retirar o hospital da mudança territorial. Abilio posteriormente adotou tom conciliatório e chegou a brincar que “taparia os buracos” no acesso à unidade em troca da devolução do hospital à Capital.
Apesar do entendimento anunciado, o prefeito voltou a demonstrar insatisfação com a demora para solucionar definitivamente a questão.
NOVO HOSPITAL
O Hospital Universitário Júlio Müller é vinculado à UFMT e está em fase de conclusão. A unidade é considerada um dos principais projetos de infraestrutura de saúde em Mato Grosso e deverá ampliar a oferta de atendimentos de média e alta complexidade.
O empreendimento terá 58,3 mil metros quadrados de área construída, 228 leitos de internação, 63 leitos de UTI e 12 centros cirúrgicos. A gestão está prevista para ser realizada pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
O novo hospital também já foi utilizado como argumento político por diferentes grupos ao longo do ano, principalmente em discussões sobre investimentos federais e estaduais e sobre a atuação de Cuiabá, Santo Antônio de Leverger e da Assembleia Legislativa.
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