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Polícia Sábado, 24 de Outubro de 2026, 14:34 - A | A

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Sábado, 24 de Outubro de 2026, 14h:34 - A | A

CASO SEM RESPOSTAS

Um ano após morte de Viviane Fidélis, família cobra reabertura da investigação

Polícia Civil encerrou o caso sem apontar suspeitos, enquanto familiares questionam a perícia e acionaram a Comissão Interamericana de Direitos Humanos

CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

Daniel Souza/TV HNT

Viviane Fidélis

A morte da advogada de Cuiabá, Viviane Fidelis, completou um ano, mas o caso continua cercado de questionamentos por parte da família. A Polícia Civil encerrou a investigação sem denunciar o ex-namorado da jovem, o arquiteto Raphael Campos. Os familiares, no entanto, contestam os laudos periciais e sustentam que Viviane pode ter sido assassinada.

Para entender o caso, é preciso voltar a 18 de setembro de 2025. De acordo com o inquérito, Raphael foi a última pessoa a ter contato presencial com Viviane antes da morte. Ele teria buscado a ex-namorada no residencial onde ela morava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. 

LEIA MAIS: Família de advogada recorre à corte internacional após caso ser arquivado

Em depoimento à polícia, o arquiteto relatou que os dois apenas conversaram. Segundo a versão apresentada por ele, após o encontro, retornaram ao residencial e Viviane desceu do veículo para entrar em casa.

Ainda conforme o relato, ela o ignorou e fechou o portão. Depois disso, não foi mais vista com vida.

Raphael afirmou que tentou entrar em contato com Viviane novamente, mas, como não foi atendido, decidiu ir até a casa dela. Como os dois estavam brigados, ele já não tinha acesso à chave do imóvel. Uma vizinha teria aberto a porta para ele.

Ao entrar na residência, o arquiteto encontrou a ex-namorada caída no banheiro. O pescoço da advogada estava envolto em um cinto, preso à maçaneta da porta.

Na primeira análise, peritos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluíram que Viviane morreu por suicídio, por enforcamento.

A família, porém, contestou o resultado e apontou supostas falhas no trabalho pericial. Entre os questionamentos apresentados está a movimentação do corpo da advogada no local onde foi encontrada. Os familiares também levantaram suspeitas sobre a possível participação de Raphael no caso.

As suspeitas da família, contudo, não foram acompanhadas de elementos que levassem a Polícia Civil a apontar o arquiteto como autor de um crime.

Na tentativa de contestar a hipótese de suicídio, os familiares recorreram ao Ministério Público, que os representou judicialmente no pedido de exumação. O corpo de Viviane foi exumado 33 dias após o sepultamento.

A advogada foi submetida a uma segunda necropsia, além de exames complementares, incluindo análise toxicológica. O resultado do Instituto Médico Legal (IML), no entanto, não foi conclusivo para determinar se a morte ocorreu por suicídio ou assassinato.

O laudo destacou a classificação de “morte violenta a esclarecer”, sem estabelecer uma conclusão definitiva sobre as circunstâncias do óbito.

O Ministério Público solicitou novas análises, mas os exames complementares também não foram suficientes para esclarecer o que aconteceu.

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INVESTIGAÇÃO FOI ENCERRADA

Com as perícias sem uma conclusão definitiva, a Delegacia de Homicídios concentrou parte do trabalho na análise dos depoimentos. Raphael compareceu às oitivas e respondeu voluntariamente às perguntas dos investigadores, mas não foi formalmente apontado como suspeito nos autos, conforme o relato da investigação.

A mãe de Viviane, a advogada Sheyla Barros, e o irmão dela, Júnior Fidélis, também prestaram depoimento. Ambos manifestaram desconfiança em relação ao ex-namorado e relataram que o relacionamento do casal era conturbado.

Sem elementos suficientes para sustentar a hipótese de homicídio e identificar um possível autor, a Polícia Civil encerrou o caso sem indiciar Raphael pelo crime.

A família só recebeu autorização para sepultar Viviane em 5 de agosto de 2026, quase 11 meses após a morte. O sepultamento encerrou uma etapa dolorosa para os parentes, mas não pôs fim à busca por respostas.

Uma das iniciativas mais recentes foi o acionamento da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, com o objetivo de pressionar por uma nova análise do caso e pela reabertura do inquérito policial.

Mesmo após um ano, a família continua contestando a conclusão inicial da perícia e busca esclarecer as circunstâncias da morte da advogada.

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