O delegado Ramiro Mathias Ribeiro Queiroz afirmou que a maioria das vítimas de abuso sexual infantil sofre em silêncio e que muitos casos sequer chegam ao conhecimento das autoridades.
“Esse crime é cometido entre quatro paredes. É um crime que quase ninguém testemunha. Então, quem sofre, sofre calado”, declarou durante coletiva da Operação Marco Zero.
Segundo o delegado, crianças vítimas de violência sexual costumam apresentar mudanças bruscas de comportamento e precisam ser observadas por familiares, professores e pessoas próximas.
“É importante que quando observa que a criança está sendo vítima, ela muda de comportamento. Isso é natural. Porque é uma agressão muito grave psicologicamente para uma criança que tem uma idade de 8, 9 anos”, afirmou.
Ramiro explicou que os sinais podem surgir de diferentes formas. “A criança pode regredir. Ela volta a urinar na cama ou a usar chupeta. Também pode acontecer dessa criança ficar arredia, irritadiça ou começar a chorar”, disse.
O delegado afirmou ainda que muitas vítimas não conseguem denunciar os abusos por medo ou falta de compreensão sobre o que estão vivendo.
“A menina de oito anos não tem capacidade pra ir na delegacia. Às vezes ela nem sabe o que está acontecendo com ela e ela está sendo violentada dia após dia”, declarou.
A Polícia Civil reforçou a importância das denúncias e afirmou que vizinhos, escolas, conselhos tutelares e familiares têm papel fundamental na identificação dos casos.
OPERAÇÃO MARCO ZERO
A Operação Marco Zero foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso nesta segunda-feira (18), por meio da Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), para cumprir 18 mandados de prisão preventiva contra investigados por estupro de vulnerável.
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As ordens judiciais são cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande, Pernambuco e Mato Grosso do Sul. Segundo a Polícia Civil, a ação é considerada a maior da Região Metropolitana de Cuiabá voltada ao combate de crimes de abuso sexual infantojuvenil.
A operação ocorreu no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e conta com apoio de unidades policiais de outros estados.
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