A Polícia Civil deflagrou nesta sexta-feira (3), em Barra do Garças, a Operação Mesa Vazia, que investiga um esquema de desvio de aproximadamente 13 mil cestas básicas e kits de higiene, que seriam destinados à famílias em vulnerabilidade social. A investigação apura um prejuízo estimado em R$ 1,95 milhão e mira cinco vereadores da Câmara Municipal e dois diretores da Agência de Regulação e Fiscalização (AGIRF).
Entre os alvos da Operação estão os vereadores Valdeí Leite Guimarães, conhecido como Pebinha, Adilson Tavares Lopes, Allankley Lopes de Souza, conhecido como Alan Construtor, Armando José de Brito e Elton Melo, que são investigados por participar da retirada, armazenamento e distribuição informal das cestas em suas bases políticas.
Já o núcleo de liderança do suposto esquema seriam, segundo as investigações, os dois diretores da AGIRF, Benier Marcos Silva, apontado como o líder e articulador central e Renato de Souza Soares, conhecido como Renatinho, citado como braço direito de Benier, ele atuava na execução operacional e usava imóveis da família para ocultar os produtos desviados.
Por determinação do juiz, Luis Felipe Lara de Souza, do Núcleo de Justiça do Juiz das Garantias de Barra dos Garças, Benier Marcos Silva e Renato de Souza Soares foram afastados de suas funções na AGIRF pelo prazo de 90 dias para evitar interferência nas provas.
Conforme o inquérito, o esquema teria operado de forma contínua entre 2021 até, pelo menos, dezembro de 2025. Nesse período, cargas assistenciais do Programa Ser Família Solidário, gerenciado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), eram retiradas em Cuiabá sob aparente regularidade. Para isso, segundo a investigação, eram utilizadas entidades e associações, além de documentos suspeitos e representantes sem legitimidade, para viabilizar a retirada e o transporte das cargas para locais privados.
Na decisão, porém, o magistrado negou o pedido de afastamento dos vereadores supostamente envolvidos no esquema. O juiz entendeu que não havia prova cabal do uso do aparato da Câmara Municipal no esquema e que as condutas decorreriam de influência pessoal.
Todos os alvos da Operação passaram por busca e apreensão, incluindo as residências, gabinetes da Câmara Municipal e a sede da AGIRF. A quebra de sigilo também foi autorizada, tanto para troca de mensagens quanto para os dados em nuvens, com o objetivo de reconstruir a rede de contatos do grupo. Os investigados estão proibidos de se comunicar com testemunhas, motoristas e beneficiários do programa social.
De acordo com a investigação, houve uma tentativa recente, por parte de Benier, de solicitar novamente caminhões da prefeitura para buscar mais 2.000 cestas em Cuiabá fora do controle oficial, além de registros de tentativas de intimidação de testemunhas e falas ameaçadoras contra policiais envolvidos na apuração.
Em uma das provas anexadas no inquérito estão prints de conversas entre Bernier e um dos motoristas responsáveis por retirar a carga em Cuiabá e levar até Barra do Garças.
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