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"NOS PINTAM COMO MONSTRO"

Médico de jovem que morreu em cirurgia plástica admite não ter residência e minimiza: “não é causa da morte”

O cirurgião disse que tem mais de 2 mil procedimentos e que adianta aos pacientes que não tem o RQE

CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

Reprodução

Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha e  Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza.

O médico Euler Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, responsável pela cirurgia plástica da jovem Lourdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, que morreu durante o procedimento em Cuiabá, afirmou que não possui residência médica e minimizou, afirmando que essa condição não motivou o óbito. Em vídeo divulgado neste domingo (25), Euler apresentou sua versão sobre o caso, relatou as tentativas de reanimação e disse aguardar o laudo do Instituto Médico Legal (IML) para esclarecer a causa da morte.

“Eu realmente não tenho RQE. A gente aguarda o laudo do IML e uma coisa que eu tenho certeza que não virá no laudo é que a causa mortis dessa paciente foi por conta da ausência do RQE”, declarou.

O médico também afirmou que não fez residência médica, mas cursou pós-graduação. Segundo ele, sua formação profissional está documentada e é suficiente para a realização dos procedimentos.

LEIA MAIS: DHPP investiga se houve falha médica em morte de jovem em Cuiabá

“Eu não fiz residência médica, eu fiz pós-graduação, que é um dos muitos caminhos de formação do médico, mas não sou desabilitado a fazer qualquer tipo de cirurgia”, disse.

A morte de Lourdes Maria ocorreu durante uma cirurgia que envolvia lipoescultura e colocação de próteses de silicone nos seios, no Hospital Geral e Maternidade, em Cuiabá. A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga as circunstâncias do caso, enquanto o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) instaurou uma sindicância.

Preza afirmou que a paciente passou por lipoaspiração no abdômen e nas laterais, colocação de próteses mamárias e lipo nos glúteos. Segundo ele, a intercorrência ocorreu quando a equipe estava na fase final após a paciente ser posicionada de barriga para baixo.

De acordo com o médico, a anestesista identificou uma queda súbita na saturação de oxigênio e interrompeu o procedimento para verificar os equipamentos.

“Parei imediatamente o que eu estava fazendo. Quando a anestesista solicitou que virasse ela novamente com a barriga para cima, para que melhorasse a ventilação, eu mesmo a virei”, relatou.

Ele disse que iniciou as manobras de reanimação assim que foi informado de que a paciente havia sofrido uma parada. Segundo sua versão, médicos de diferentes especialidades participaram do atendimento, que incluiu exames, administração de medicamentos e desfibrilação.

Preza disse que a equipe tentou reanimar Lourdes por mais de duas horas. Conforme o relato, a paciente chegou a voltar duas vezes, mas não resistiu.

“Uma fatalidade que é possível em qualquer tipo de cirurgia, mas que infelizmente aconteceu com essa paciente”, afirmou.

O profissional declarou que não conseguiu comunicar pessoalmente a intercorrência aos familiares de imediato porque participava das manobras. Segundo ele, havia uma amiga da paciente no hospital e foi solicitado que o marido comparecesse.

“Eu quero provar para todos que não houve erro médico, que não houve culpabilidade do meu ato cirúrgico”, declarou.

No vídeo, Preza também comentou o episódio de violência registrado no hospital após a morte da jovem. Ele confirmou ter sido agredido, mas afirmou que não guarda ressentimentos em relação aos envolvidos, que, segundo ele, estavam abalados pela perda.

O médico disse ainda ter recebido ameaças por meio do WhatsApp e das redes sociais, inclusive contra sua vida e a de familiares.

Ao longo do pronunciamento, Preza lamentou a morte da paciente, a quem descreveu como amiga e pessoa de sua convivência social. Ele também afirmou ter realizado mais de 2 mil cirurgias ao longo da carreira e disse que pretende continuar trabalhando.

“Não é fácil essa fase e a mídia e todos nos pintam como monstros e nós somos seres humanos”, declarou.

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