Katani Adorno Bocardi, presa na madrugada desta sexta-feira (31) ao desembarcar de uma viagem a Paris, já ocupou cargos comissionados na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) entre 2018 e 2022. Investigada na Operação Replay, ela é apontada pela Polícia Civil como integrante do núcleo financeiro do Comando Vermelho (CV), estrutura que, segundo as investigações, era comandada por Paulo Witer Paelo Farias, conhecido como "WT".
A prisão foi cumprida no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande. Conforme a investigação, Katani foi monitorada desde o desembarque no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, até a chegada a Mato Grosso, quando o mandado de prisão preventiva foi executado.
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Documento oficial da Assembleia Legislativa, obtido pela reportagem, confirma que Katani foi exonerada do cargo de Assessora Técnica Legislativa (ATL-II) da Unidade de Assessoria Técnica Legislativa em 16 de janeiro de 2022. A exoneração consta no Ato nº 041/2022, publicado no Diário Oficial da ALMT em 11 de fevereiro de 2022, com assinaturas do então presidente da Casa, deputado Eduardo Botelho, e do então 1º secretário, deputado Max Russi.
Levantamento no Portal da Transparência da ALMT mostra que Katani iniciou sua trajetória no Legislativo em fevereiro de 2018, quando foi nomeada assessora parlamentar no gabinete do então deputado Romoaldo Júnior. Em 2019, passou a atuar no gabinete de outro parlamentar, mas foi exonerada do mesmo gabinete em maio do mesmo ano.
Posteriormente, exerceu funções na estrutura administrativa da Assembleia, incluindo a Superintendência Executiva da Presidência, até ser nomeada para a Unidade de Assessoria Técnica Legislativa, onde permaneceu até a exoneração em 2022.
INVESTIGAÇÃO
Segundo a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Katani é esposa de Emerson Ferreira Lima, conhecido como "DG" ou "Gordão", também preso na Operação Replay e apontado como um dos principais auxiliares de WT na movimentação financeira da facção.
As investigações indicam que o grupo utilizava empresas, contas bancárias de terceiros e pessoas sem capacidade econômica compatível para ocultar patrimônio supostamente obtido por meio de atividades ilícitas.
Nas redes sociais, Katani publicava registros de viagens internacionais, restaurantes e estabelecimentos de alto padrão. De acordo com a Polícia Civil, o estilo de vida apresentado é um dos elementos analisados na investigação por suposta incompatibilidade com a renda declarada.
OPERAÇÃO REPLAY
Deflagrada na quinta-feira (30), a Operação Replay é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra e tem como objetivo desarticular o núcleo financeiro do Comando Vermelho em Mato Grosso.
Além de Katani e Emerson Ferreira Lima, foram presos a advogada Dayane Karol Moreira, o jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como "Alex Soldado", e o assessor parlamentar Brunno Passos da Silva.
A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão, determinou o bloqueio de ativos financeiros e o sequestro de imóveis e veículos de luxo. Segundo a Polícia Civil, as medidas patrimoniais atingem bens e valores superiores a R$ 32 milhões.
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