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CARBONO OCULTO 3

Empresa de VG entra na mira de megaoperação; delator do Banco Master é um dos alvos

Terceira fase da Operação Carbono Oculto mira estruturas financeiras usadas, segundo investigadores, para ocultar patrimônio e recursos na aquisição da Terrana; executivo do Banco Genial e empresário ligado ao Banco Master estão entre os alvos

DA REDAÇÃO

Reprodução

Operação Carbono Oculto 3

Uma empresa de combustíveis instalada em Várzea Grande foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira (24), durante a Operação Crédito Oculto, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo e pela Receita Federal. A ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionadas à aquisição de distribuidoras de combustíveis.

Em Mato Grosso, o alvo é uma unidade da Terrana localizada em Várzea Grande. Dados cadastrais públicos identificam a empresa como Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., com filial na Avenida Júlio Domingos de Campos, no bairro Jardim Eldorado.

A operação ocorre simultaneamente em outros estados e tem como foco uma estrutura financeira que, segundo os investigadores, teria sido montada para esconder os verdadeiros beneficiários da aquisição da distribuidora de combustíveis e dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

Entre os principais alvos da ofensiva estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, e os irmãos André Tupinambá e Bruno Tupinambá. Também é alvo Antonio Carlos Freixo Junior, empresário ligado à Entre Investimentos e que firmou acordo de colaboração premiada no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.

A presença de Freixo entre os alvos conecta a investigação do setor de combustíveis a apurações que envolvem o Banco Master. Segundo informações divulgadas sobre a operação, a Entre Investimentos aparece entre as estruturas financeiras analisadas pelos investigadores.

A investigação aponta que a compra da Terrana teria sido estruturada por meio de uma complexa rede formada por fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais, empresas de fachada e outras estruturas financeiras. O objetivo, segundo o Gaeco, seria afastar formalmente os recursos e os ativos dos reais beneficiários da operação.

A distribuidora investigada é a Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., cujo nome fantasia é Terrana. A empresa atua no comércio atacadista de combustíveis e possui unidade registrada em Várzea Grande.

Segundo os investigadores, a estrutura teria sido utilizada para viabilizar a aquisição da distribuidora por pessoas que não apareceriam formalmente como responsáveis pelo negócio. Entre os mecanismos analisados estão fundos de investimento e empresas criadas ou utilizadas para intermediar a movimentação dos recursos.

A apuração também cita Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, apontados pelos investigadores como supostos líderes da organização criminosa investigada. Os dois, contudo, não estão entre os alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos nesta fase.

Outro ponto da investigação envolve a atuação de operadores do mercado financeiro. Segundo os investigadores, essas estruturas teriam permitido a circulação de valores por diferentes empresas e contas, dificultando a identificação da origem dos recursos e de quem efetivamente controlava os negócios.

Uma das empresas financeiras analisadas na investigação teria movimentado aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Para a Receita Federal e o Gaeco, o volume movimentado, somado aos demais elementos reunidos na apuração, reforça os indícios de utilização de estruturas financeiras para ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de capitais.

A operação também investiga a utilização de recursos e estruturas societárias na aquisição de imóveis e outros ativos. Conforme a apuração, esses mecanismos poderiam manter os bens sob controle econômico dos investigados, embora eles não figurassem diretamente como proprietários.

A Operação Crédito Oculto é, portanto, uma nova frente da investigação iniciada com a Operação Carbono Oculto e amplia o foco sobre a participação de operadores do mercado financeiro no esquema investigado no setor de combustíveis. As diligências realizadas em Várzea Grande fazem parte dessa apuração nacional.

A investigação continua para esclarecer a origem dos recursos, a participação de cada investigado e como as estruturas financeiras e empresariais teriam sido utilizadas na aquisição da Terrana.

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