Mundo Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011, 16:20 - A | A

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011, 16h:20 - A | A

ONDA DE REVOLTAS

Síria continua repressão enquanto monitores visitam novas cidades

Forças de segurança sírias dispararam contra manifestantes antigoverno e mataram ao menos 21 pessoas

DA FOLHA DE SÃO PAULO

Forças de segurança sírias dispararam contra manifestantes antigoverno e mataram ao menos 21 pessoas em diferentes locais da Síria nesta quinta-feira, enquanto monitores do acordo de paz da Liga Árabe visitavam novas cidades para verificar se o plano para colocar fim ao derramamento de sangue estava sendo cumprido.

As cidades que serão visitadas nesta quinta-feira --Deraa, Hama e Idlib-- ficam em um arco de revolta de 450 km do sul ao norte da Síria. No seu centro está Homs, onde houve polêmica no segundo dia de visita dos monitores quando seu chefe sudanês reportou não ter visto "nada assustador" em uma excursão inicial.

Nesta quinta-feira, a televisão estatal síria divulgou que os observadores haviam chegado em Hama e Deraa, mas ativistas anti-Assad disseram que não tinham visto sinal dos monitores nas ruas até o meio da tarde e não conseguiam entrar em contato com eles por telefone.

"Onde eles estão? Demos duro para essa visita, conseguimos testemunhas e mortes documentadas e locais de bombardeio. As pessoas querem marchar, mas os monitores desapareceram. A presença da segurança é realmente forte --parece que eles estiveram se preparando como nós", disse o ativista Odei em Idlib.

23.12.2011/Reuters

Delegação com observadores da Liga Árabe visitam local em que um carro-bomba explodiu em Damasco

Em Hama, ativistas disseram que os manifestantes saíram às ruas da cidade para esperar a delegação da Liga Árabe, em meio à forte segurança com atiradores apontando armas das janelas no alto dos edifícios.

"As pessoas realmente querem encontrar [os monitores]. Não temos muito acesso à equipe. As pessoas pararam de acreditar em qualquer coisa ou em qualquer um agora. Só Deus pode nos ajudar agora", disse Abu Hisham, um ativista da oposição em Hama.

Uma fonte no centro de operações da missão da Liga Árabe, no Cairo, disse que houve um problema de comunicação, mas que o cronograma dos monitores foi mantido.

"Entramos em contato com nossas equipes. O plano de hoje não será modificado e o único problema que tivemos hoje foi a péssima rede telefônica, que dificultou nossa comunicação com os monitores. Demorou para alcançá-los e determinar onde estavam".

Aproveitando a presença dos especialistas em território sírio, os opositores do regime de Assad pediram aos cidadãos através do Facebook que tomem as ruas do país na sexta-feira, dia de oração e descanso para os muçulmanos e no qual são convocados os grandes protestos da semana.

"Na sexta-feira protestaremos pela liberdade, com o peito aberto", afirmaram os incentivadores da Syria Revolution 2011. "Protestaremos como fizemos em Homs (centro) e Hama, onde apenas levamos ramos de oliveiras para enfrentar os grupos de Bashar [Assad], que nos atacaram com balas e armas", disse o movimento.

Reuters

Manifestantes protestam contra o regime do ditador sírio Bashar Assad durante visita de observadores

O diretor do OSDH (Observatório Sírios dos Direitos Humanos), Rami Abdel Rahmán, lembrou que os observadores devem ouvir a voz dos manifestantes, e descreveu a missão da Liga Árabe como um "raio de luz" em um túnel escuro.

MISSÃO DA LIGA ÁRABE

Os observadores da Liga Árabe estão na Síria para avaliar a implementação de um acordo de paz pelo qual Assad se compromete a encerrar a repressão militar contra os manifestantes, libertar presos políticos e iniciar um diálogo com a oposição.

O objetivo da missão é acompanhar no local o cumprimento dos pontos do acordo para encerrar a crise que atinge o país desde meados de março, quando começaram os protestos contra o ditador Bashar Assad e a repressão das forças governamentais contra os manifestantes.

Desde que assinou o acordo com a Liga, em 2 de novembro, o regime de Assad tem sido acusado de intensificar a repressão aos opositores.

Segundo a ONU, mais de 5.000 pessoas já morreram no país desde o início das revoltas. O regime, por sua vez, afirma que a violência é responsabilidade de "grupos armados" que tentam espalhar o caos no país e alega que os confrontos já mataram 2.000 soldados.

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