Funcionários da organização dos três países estavam entre as vítimas. O episódio, que envolveu um comboio de veículos de ajuda humanitária, provocou indignação internacional na época.
"Essa decisão é insuficiente e tardia. As vítimas desse incidente e suas famílias merecem justiça e responsabilização, e continuaremos buscando respostas em nome delas", afirmaram os três países em declaração conjunta. Segundo o comunicado, o ataque à WCK é um dos "inúmeros incidentes em Gaza nos quais não houve responsabilização".
Os governos também chamaram a atenção para os riscos enfrentados por profissionais envolvidos na distribuição de ajuda humanitária no território. "Apesar do frágil cessar-fogo, Gaza continua sendo o lugar mais mortal para a entrega de ajuda humanitária, com 186 profissionais humanitários mortos em 2025", afirmaram.
A reação à decisão israelense também ocorreu separadamente nos países de origem de algumas das vítimas. De acordo com o The Guardian, a Austrália manifestou "indignação" na quinta-feira, 20. Zomi Frankcom, uma das sete pessoas mortas no ataque, era australiana.
A família de Frankcom criticou a forma como o caso foi analisado pelas autoridades israelenses. Em manifestação citada pelo jornal britânico, os familiares disseram que ela merecia mais do que um "processo interno e opaco que termina com um breve comunicado das forças armadas israelenses absolvendo seus soldados de qualquer ato criminoso". O embaixador de Israel na Austrália, Hillel Newman, por sua vez, defendeu a decisão.
A Polônia, que também teve um cidadão morto no ataque, cobrou a colaboração de Israel com a apuração conduzida pelo país. O governo polonês disse estar "muito decepcionado" com o desfecho anunciado pelas forças israelenses. Entre os trabalhadores humanitários mortos estava Damian Soból, voluntário de Przemysl.
No Reino Unido, a manifestação partiu do Ministério das Relações Exteriores. A pasta declarou estar "chocada e indignada" em nome dos familiares dos britânicos John Chapman, James Henderson e James Kirby, que também integravam a equipe atingida.
O que dizem a WCK e as forças israelenses
A World Central Kitchen sustenta que o deslocamento do comboio havia sido previamente coordenado com as forças militares. Conforme relatado pelo The Guardian, os veículos utilizados pela organização também carregavam no teto a identificação da WCK, de maneira que o símbolo pudesse ser reconhecido do ar.
A entidade rejeitou as conclusões apresentadas por Israel. "Nunca houve qualquer desculpa ou justificativa para os ataques, e não há nada neste relato que o faça. A decisão é inconsistente com a verdade completa e profundamente ofensiva", declarou.
A versão apresentada pelas Forças de Defesa de Israel é de que pessoas que estavam nos veículos foram identificadas equivocadamente como integrantes armados do Hamas. As IDF também disseram que o comboio havia deixado o trajeto acertado anteriormente. Ainda assim, a avaliação militar foi de que "as decisões dos comandantes não suscitaram suspeita razoável de conduta criminosa".
Na época do ataque, as consequências administrativas atingiram cinco oficiais: dois perderam seus cargos e três foram repreendidos. Segundo o The Guardian, um dos afastados teria assinado, meses antes, uma carta aberta que defendia impedir a entrada de ajuda humanitária em Gaza. Ao longo do conflito, Israel impôs restrições severas à entrada de ajuda humanitária em Gaza. Em agosto de 2025, especialistas declararam que o território enfrentava uma situação de fome.
A decisão sobre o comboio da WCK foi divulgada na mesma semana em que as forças israelenses anunciaram uma postura diferente diante de outros episódios ocorridos em Gaza. Na quarta-feira, 19, as IDF reconheceram que militares israelenses dispararam contra o veículo em que estava Hind Rajab, de 5 anos, junto com seis familiares, em 2024. Uma investigação criminal foi determinada para apurar essas mortes. Também será investigado o ataque a tiros que matou 15 paramédicos em 2025.
(Com Agência Estado)
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