A chegada dos navios Papaloapan e Isla Holbox, enviados pelo governo da presidente esquerdista Claudia Sheinbaum, ocorre enquanto o México negocia uma eventual entrega de petróleo à ilha sem ser sancionado pelos Estados Unidos, que ameaçaram impor tarifas ao país que lhe fornecer o insumo.
Segundo o governo mexicano, os navios transportaram 814 toneladas de leite líquido e em pó, carnes, biscoitos, feijão, arroz e artigos de higiene pessoal. No México, ainda há "mais de 1.500 toneladas de leite em pó e feijão pendentes de envio" para a ilha, segundo informaram as autoridades mexicanas.
Sheinbaum já havia afirmado anteriormente que a ajuda humanitária seria enviada enquanto manobras diplomáticas para retomar o fornecimento de petróleo estavam em andamento. Ela afirma que o México comunicou aos Estados Unidos que busca promover um diálogo pacífico e garantir que Cuba "possa receber petróleo e seus derivados para suas operações diárias".
Antes do anúncio de Trump, a petrolífera estatal Petróleos Mexicanos, Pemex, já havia suspendido os embarques de petróleo bruto para Cuba em janeiro, embora não tenha esclarecido os motivos por trás dessa decisão.
"O México sempre foi um país solidário com Cuba", disse à AFP a cubana Marila García, de 52 anos.
A mulher, que passeava pela orla do Malecón, em Havana, lembrou que o México "foi o único país" que manteve relações quando Cuba foi expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA) em 1962.
Por sua vez, o pescador Eliécer Rodríguez, de 34 anos, destacou que, diante das pressões de Washington, "o único" país "que está respondendo neste momento é o México". "Sempre foi fiel", observou.
Sob embargo dos Estados Unidos desde 1962, Havana acusa Trump de querer "asfixiar" a economia da ilha, onde desde segunda-feira, 9, entrou em vigor um pacote de medidas de emergência, como o racionamento de gasolina, a semana de trabalho de quatro dias na administração pública, o teletrabalho ou as aulas universitárias à distância.
A escassez de combustível também levou à "redução do pessoal presencial em hospitais e policlínicas", bem como à "atividade cirúrgica", explicou na segunda-feira o ministro da Saúde, José Ángel Portal.
Autoridades da aviação cubana alertaram as companhias aéreas no início desta semana que não há combustível suficiente para reabastecer os aviões na ilha. Na segunda-feira, a Air Canada anunciou que estava suspendendo os voos para Cuba, enquanto outras companhias aéreas anunciaram atrasos e escalas na República Dominicana antes de os voos continuarem para Havana. Os cortes no combustível devem ser mais um golpe para a economia turística de Cuba, outrora próspera.
"Às vezes você pensa que as coisas vão melhorar, mas não é assim", disse Javier González, um cubano que se sentou no famoso quebra-mar de Havana para assistir à chegada dos navios mexicanos. "Não podemos continuar assim porque é muito difícil. Teremos que esperar para ver."
Assistência do Chile e da Rússia
No Chile, o governo cessante do esquerdista Gabriel Boric confirmou nesta quinta-feira, 12, que planeja enviar ajuda humanitária a Cuba, "levando em conta a dramática situação que o país está vivendo" e "além das características políticas que seu regime possa ter".
"É uma ajuda de caráter monetário, que realmente ninguém poderia contestar", declarou à imprensa o chanceler Alberto Van Klaveren, sem especificar o montante.
Enquanto isso, o jornal russo Izvestia informou nesta quinta que a Rússia poderia fornecer petróleo a Cuba, seu aliado estratégico no Caribe, como parte de sua assistência "humanitária".
"Pelo que sabemos, espera-se que a Rússia em breve forneça petróleo e derivados de petróleo a Cuba como ajuda humanitária", disse o Ministério do Desenvolvimento Econômico de Moscou, citado pelo jornal.
Na segunda-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, denunciou as "medidas sufocantes' dos Estados Unidos contra a ilha, que enfrenta uma situação "realmente crítica".
Cuba está mergulhada há seis anos em uma grave crise econômica, com forte inflação, apagões prolongados e escassez de alimentos e medicamentos, devido aos efeitos combinados do endurecimento das sanções americanas, da baixa produtividade de sua economia centralizada e do colapso do turismo.
Essa situação se agravou com a suspensão abrupta do fornecimento de petróleo da Venezuela, seu principal fornecedor de combustível nos últimos 25 anos, após a queda de Nicolás Maduro em uma intervenção militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro.
Em um comunicado divulgado em Genebra, um grupo de relatores especiais em direitos humanos condenou a ordem executiva pela qual Trump ameaça impor tarifas aos países que fornecem petróleo à ilha, alegando que Havana representa uma "ameaça excepcional" para os Estados Unidos.
"Interferir nas importações de combustível poderia provocar uma grave crise humanitária com efeitos em cadeia para os serviços essenciais", alertaram os especialistas que trabalham para as Nações Unidas, embora não falem em nome da organização.
*Com informações de agências internacionais.
(Com Agência Estado)
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