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Mundo Quinta-feira, 15 de Outubro de 2026, 14:00 - A | A

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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2026, 14h:00 - A | A

Maduro e Cilia Flores se declaram inocentes de acusações de tortura em tribunal dos EUA

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

O ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores, se declararam inocentes nesta quinta-feira, 15, de novas acusações de tortura apresentadas contra eles nos Estados Unidos.

Algemados pelos tornozelos, Maduro e Cilia foram levados a um tribunal de Nova York para responder às denúncias reformuladas, que ampliam as acusações iniciais de tráfico de drogas e os acusam de liderar uma campanha de repressão patrocinada pelo Estado, responsável pela tortura de dezenas de vítimas, incluindo três americanos.

A denúncia abrange alegações de tortura que remontam à chegada de Maduro ao poder, em 2013, quando assumiu a Venezuela no lugar de Hugo Chávez, que morreu de câncer naquele ano.

Ao entrarem no tribunal, Maduro acenou para as pessoas e apertou a mão de um de seus advogados, Barry Pollack, enquanto Cilia deu um beijo na bochecha de um de seus advogados, Mark Donnelly.

Como já haviam feito antes, Maduro e Cilia acompanharam o processo por meio de fones de ouvido pelos quais ouviam a voz de um tradutor. Em alguns momentos, Maduro, que usava óculos, examinava os papéis à sua frente.

O ex-ditador ignorou duas vezes o pedido do juiz Alvin K. Hellerstein para que se declarasse culpado ou inocente das acusações, afirmando, por meio do intérprete, que a denúncia continha "falsas acusações e falso testemunho". Irritado, Hellerstein afirmou que registraria a declaração de inocência em nome de Maduro.

Na semana passada, quando as denúncias foram anunciadas, Pollack afirmou que Maduro nega as acusações e "aguarda a oportunidade de se defender perante a Justiça".

Segundo a denúncia, Maduro supervisionou um sistema de tortura violento que espancava as vítimas, provocava asfixia e aplicava choques elétricos. Ele é acusado de recomendar pessoalmente métodos de tortura, receber atualizações sobre o que era feito com vítimas específicas e ameaçar matar o filho de um prisioneiro como forma de tortura psicológica.

Cilia é acusada de ajudar a desenvolver o sistema repressivo e ordenar a tortura de pessoas específicas. Quando questionada sobre sua declaração de culpa ou inocência, ela disse, por meio do intérprete: "Sou completamente inocente. Não sou culpada". Ela também afirmou ter lido uma versão em espanhol da nova denúncia.

O julgamento começará em 14 de junho do ano que vem, duas semanas depois do previsto anteriormente, de acordo com um cronograma aprovado pelo juiz nesta quinta-feira. O casal deve retornar ao tribunal para outra audiência preliminar em 17 de dezembro.

No início deste ano, o casal já havia sido acusado de narcotráfico e tráfico de armas, mas se declarou inocente de ambos os crimes. A defesa argumenta que o processo deve ser arquivado com base na imunidade, uma vez que Maduro era chefe de Estado e Cilia, primeira-dama de um país estrangeiro.

Maduro e Cilia foram capturados em sua casa, em Caracas, por militares americanos durante uma operação noturna, em 3 de janeiro.

O ex-ditador é investigado há anos pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por suspeitas de crimes contra a humanidade relacionados à repressão de opositores. Ele sempre negou ter cometido irregularidades.

A tortura é um crime previsto no direito internacional e pode ser julgada fora do país onde os abusos ocorreram, independentemente da nacionalidade das vítimas. No entanto, processos contra autoridades estrangeiras nos EUA são extremamente raros. Isso ocorreu apenas algumas vezes, incluindo nos casos do filho do ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, de russos responsabilizados por crimes de guerra na Ucrânia e de um ex-diretor de prisão da Síria durante o governo de Bashar Assad.

*Com informações de agências internacionais.

(Com Agência Estado)

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