No texto, Lula diz que é "particularmente preocupante" que práticas que envolvam o uso da força estejam sendo aplicadas na América Latina e no Caribe. O petista destaca que a ação na Venezuela marcou a primeira vez em mais de 200 anos que a América do Sul foi alvo de um ataque militar direto dos EUA, embora as forças americanas já tenham interferido antes na região.
"A América Latina e o Caribe abrigam mais de 660 milhões de pessoas. Nós temos nossos próprios interesses e sonhos a defender. Em um mundo multipolar, nenhum país deve ter suas relações externas questionadas por buscar universalidade. Nós não seremos subservientes a empreitadas hegemônicas. Construir uma região próspera, pacífica e pluralista é a única doutrina que nos convém", afirma o presidente brasileiro.
Lula afirma que líderes de governo ou Estado devem responder por ações que sabotem a democracia e os direitos fundamentais, mas pondera que a intervenção de outros países nesses assuntos é ilegítima. Ele defende que ações unilaterais ameaçam a estabilidade global, prejudicam o comércio e os investimentos, aumentam o fluxo migratório de refugiados e enfraquecem a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros problemas transnacionais.
"É crucial que líderes das grandes potências entendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável", diz o texto. "Por mais fortes que essas potências sejam, elas não podem contar apenas com o medo e a coerção."
O presidente brasileiro manifesta preocupação com a intensificação de ataques contra a autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e do seu Conselho de Segurança, acrescentando que o uso da força prejudica a estabilidade quando deixa de ser a exceção e se torna a regra. Ainda critica a divisão do mundo em "zonas de influência" e a realização de "incursões neocoloniais por recursos estratégicos."
Lula acrescenta que a América Latina e o Caribe querem atrair investimentos em infraestrutura, criar empregos de qualidade e ampliar a renda dos cidadãos, o que demanda cooperação. Sobre a Venezuela, ele defende um "processo político inclusivo" conduzido pelos cidadãos do país para garantir um futuro "democrático e sustentável."
Por fim, o presidente brasileiro destaca o "diálogo construtivo" que o governo vem mantendo com os EUA. "Nós, no Brasil, estamos convencidos que unificar nossos esforços em torno de planos concretos para investimento, comércio e o combate ao crime organizado é o caminho para avançar. Apenas juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós", afirma.
(Com Agência Estado)
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