A procuradora da República Denise Nunes Rocha Müller Slhessarenko, do Ministério Público Federal (MPF), instaurou inquérito civil para apurar possíveis irregularidades no Hospital Regional de Sinop (480 km de Cuiabá), relacionadas à falta de profissionais nas áreas de enfermagem e farmácia, situação que pode estar comprometendo o atendimento à população. A portaria foi publicada nesta quinta-feira (19) no Diário Oficial.
Relatórios de fiscalizações reforçam o quadro crítico. O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso apontou, em inspeções realizadas em 2025, a falta de 39 enfermeiros assistenciais, 71 técnicos de enfermagem e outros 9 enfermeiros para funções administrativas e de auditoria. Já o Conselho Regional de Farmácia classificou o hospital como irregular após identificar ausência de responsáveis técnicos e falhas na cobertura farmacêutica, especialmente no período noturno, o que compromete a segurança dos pacientes.
A procuradora considera a existência de interesse federal no caso, uma vez que o hospital é financiado, em parte, por recursos do Teto MAC, repassados pelo Fundo Nacional de Saúde ao Estado de Mato Grosso para custeio de serviços de média e alta complexidade.
Apesar de a Secretaria de Estado de Saúde ter informado que há processos administrativos em andamento para contratação de profissionais, o órgão destacou que esse tipo de medida exige planejamento e não ocorre de forma imediata. Ainda assim, o MPF aponta a necessidade de verificar se as providências anunciadas foram efetivamente implementadas e se são suficientes para resolver o problema.
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A investigação também deve analisar recomendações do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que já apontaram limitações nos mecanismos adotados pela gestão estadual para contratação de pessoal na área da saúde.
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