Dos 70% envolvidos na oferta, o Corinthians não detém a totalidade. A proposta italiana prevê 15 milhões de euros fixos e 2 milhões condicionados a metas específicas: participação em 20 jogos com a camisa do Timão com ao menos 45 minutos até a paralisação para a Copa do Mundo. Ou seja, nem todo o montante é garantido.
Na prática, entre percentuais que não pertencem ao clube, descontos obrigatórios e a parcela variável, o valor líquido tende a encolher de forma significativa. Mesmo com a sinalização de 20% de mais-valia em uma futura venda, o Corinthians dependeria de uma revenda bem-sucedida do Milan para ampliar o retorno financeiro.
Vale lembrar que André abriu mão da parcela a que teria direito na negociação, mas não transferiu ao Corinthians os 30% dos direitos econômicos que detém. A informação foi publicada pela ESPN e confirmada pelo Estadão.
O contexto pesa. André tem 19 anos, é titular e soma 23 partidas no profissional, com quatro gols. Formado no clube, representa um ativo técnico e financeiro em fase de valorização. Ao negociar agora, o Corinthians antecipa receita, mas reduz a margem de ganho em uma possível evolução esportiva do jogador, seja dentro de campo, seja em uma futura transferência por cifras mais altas.
Diante de um clube que convive com pressão de caixa e necessidade de equilíbrio financeiro, a proposta atende à urgência. Mas, quando se observa a composição do negócio e o quanto efetivamente ficaria no Parque São Jorge, a venda deixa de parecer um grande negócio e passa a ser, sobretudo, uma operação de necessidade.
Se o presidente Osmar Stabile aceitar a proposta, o volante assinará contrato de cinco anos com o Milan, etapa que formaliza a transferência e libera o pagamento ao Corinthians.
DORIVAL CRITICA NEGOCIAÇÃO
Após a eliminação na semifinal do Paulistão para o Novorizontino, o técnico Dorival Júnior adotou tom crítico ao comentar a postura do Corinthians no mercado da bola.
"O que eu penso: ele precisa ficar aqui para amadurecer e crescer, dar um retorno técnico ao Corinthians. Depois do retorno técnico, aí sim proporcionar um retorno financeiro. Mas, antes, ele tem, como todo atleta, que passar por esse processo de amadurecimento, para não bater na Europa e voltar", disse.
"O Corinthians vai vender a hora que quiser vender, e não por qualquer proposta que apareça. É a minha opinião apenas. Agora, cada um faz o que acha conveniente", completou Dorival.
Logo após a entrevista do treinador, o executivo de futebol Marcelo Paz confirmou a negociação. "Estou aqui para ser transparente e passar a vocês, para que o torcedor entenda quais são os números dessa possível operação. Seja qual for a decisão do presidente, estarei do lado dele. Espero que as pessoas entendam, porque sempre vamos tomar a melhor decisão para o Corinthians", afirmou o dirigente. Ele também enfatizou que o clube precisa vender jogadores para manter as contas em dia e evitar fechar o ano no vermelho.
(Com Agência Estado)
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