Ao rebater cobranças de opositores que apontavam um conflito de interesses na compra da SAF do Vasco pelo enteado da mandatária alviverde, o empresário Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, que é conselheiro do clube paulista, Leila fez um discurso em um evento com conselheiros do clube em uma pizzaria e chamou os críticos de "imbecis".
"Quando começar a conversa de meia dúzia de imbecis de que nossa dedicação não é integral ao Palmeiras, é mentira. Até dezembro de 2027, minha dedicação e a do meu marido são integrais ao Palmeiras", afirmou a dirigente.
Na reunião do Conselho Deliberativo, realizada na noite de segunda-feira, 19, Moncau contestou a postura da presidente e defendeu que as regras para apuração de possíveis ofensas sejam aplicadas de maneira igualitária. O conselheiro fez referência à punição imposta a José Corona Neto, suspenso por nove meses após críticas direcionadas à mandatária.
"Passam-se alguns dias e a gente recebe um áudio de uma reunião de conselheiros do Palmeiras, em que, em virtude de um outro posicionamento educado, tratando de assuntos de relevância para o clube... Como é que as pessoas que compõem essa gestão, onde é que elas vão estar amanhã? Essa é a pergunta que a gente faz. E o que a gente ouve? Eu não diria que é surpresa, mas que quem assinou aquela nota seriam meia dúzia de imbecis. Imbecis é a palavra", disse Moncau durante discurso à qual o Estadão teve acesso por meio dos áudios.
"Talvez, para estabelecer um pouco de igualdade na maneira como as coisas estão sendo conduzidas aqui, a gente deveria abrir outra sindicância contra quem, no caso, a presidente Leila Pereira, proferiu ofensas contra outras pessoas. Inclusive, entendo eu, contra a minha pessoa, me chamando de um membro desse grupo de meia dúzia de imbecis", prosseguiu o conselheiro.
"Eu peço que fique registrado expressamente na ata dessa reunião que outras agressões aconteceram e não foram sindicadas, e devem ser sindicadas. Estou pedindo a abertura dessas sindicâncias", finalizou Moncau.
Presente na reunião, Leila Pereira permaneceu em silêncio, sem se expressar. A decisão de atender ou não ao pedido da oposição está nas mãos do presidente do Conselho, Alcyr Ramos.
CONSELHEIRO SUSPENSO
Na mesma reunião, o Conselho Deliberativo decidiu suspender o conselheiro José Corona Neto por nove meses em decorrência das críticas que ele fez à presidente Leila Pereira em dezembro do ano passado. Foram 121 votos a favor, 42 votos contra e 33 abstenções. A maioria dos conselheiros entendeu que a postura dele foi inadequada e fora do tom.
Na ocasião, Corona classificou a dirigente como incompetente e afirmou que "quem não entende de futebol não pode ser presidente do Palmeiras, tem que ficar em casa". O conselheiro também questionou os mais de R$ 700 milhões investidos pelo clube em contratações ao longo de 2025, além de criticar a possibilidade de uma alteração no estatuto que permitisse à presidente disputar um terceiro mandato.
Em resposta, Leila rebateu as declarações e chamou o conselheiro de "covarde" por não permanecer no local para ouvir sua réplica. A dirigente ressaltou que não toleraria desrespeito e ameaçou recorrer à Justiça contra o integrante da oposição.
(Com Agência Estado)
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