Em um discurso onde defendeu que nem todos no mundo têm competições com o nível das que são disputadas na Europa, onde "há um Mundial a cada 15 dias", o presidente da Fifa usou a questão dos imigrantes africanos que todos os dias tentam chegar à Europa pelo Mar Mediterrâneo.
"O futebol não é apenas um esporte. São oportunidades, esperança, equipes nacionais, tem a ver com o país, o coração, a alegria. Não podemos dizer ao resto do mundo, 'nos deem o vosso dinheiro, os bons jogadores mas nos vejam na televisão'... Temos de melhorar, de encontrar maneiras de incluir todo o mundo. Dar esperança aos africanos para que não precisem de atravessar o Mediterrâneo para encontrarem, não uma vida melhor, mas sim a morte no mar. Temos de dar oportunidades e dignidade, não caridade, para o resto do mundo poder participar", frisou.
No seu discurso na Assembleia Parlamentar no Conselho Europeu, Infantino, que esteve acompanhado do francês Arsène Wenger, ex-treinador do Arsenal e agora diretor de desenvolvimento de futebol da Fifa, recordou que "o futebol avança em uma direção em que uns poucos têm tudo e a grande maioria nada tem", pelo que é preciso fazer algo.
Sobre o Mundial no Catar, que será realizado em novembro e dezembro deste ano, o presidente da Fifa reconheceu que "há muitas coisas a melhorar, mas há que reconhecer que houve várias mudanças". Ele desmentiu que tenham morrido 6.500 trabalhadores nas obras dos estádios do Catar. "Foram três e mesmo assim foi demais", completou.
A Fifa já recebeu um pedido da Anistia Internacional para pressionar o Catar a melhorar as condições dos trabalhadores estrangeiros no país. Ao longo das Eliminatórias, jogadores de diversas seleções entraram em campo se manifestando contra as ruins condições dos funcionários que trabalham nas obras da Copa do Mundo.
(Com Agência Estado)
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