O deputado quer que a Fifa disponibilize todos os registros de contatos feitos com Trump até 9 de agosto de 2026, assim como o controle de visitantes dos escritórios da federação internacional de futebol em Miami e Nova York.
Em um dos trechos da carta, divulgado pelo The Athletic, pede "uma lista de qualquer coisa de valor (incluindo transferência de dinheiro, presentes, prêmios, condecorações ou aparições públicas) dada ao presidente Trump, a membros de sua administração ou a seus familiares, ou a qualquer entidade associada a eles, como a Organização Trump".
Em comunicado, o porta-voz da Casa Branca, David Ingle fez ataques pessoais a Raskin, a quem classificou como "a ideia que uma pessoa estúpida tem de uma pessoa inteligente", e exaltou a participação do governo Trump na organização da Copa do Mundo.
"Graças à sua visão arrojada e liderança decisiva, a Copa do Mundo da FIFA de 2026 gerou bilhões de dólares em receita, impulsionou a economia das cidades-sede e proporcionou uma experiência segura e impecável para milhões de fãs e atletas do mundo todo. Sem dúvida, ficará marcada como um dos maiores e mais bem-sucedidos eventos esportivos da história", afirmou.
Na prática, por enquanto, a carta de Raskin não obriga Infantino a atender os pedidos. Embora ele integre o Comitê Judiciário, não tem o poder de intimação, que precisa ir à votação para ser colocada em prática. Apenas os presidentes da Câmara e do Comitê Judiciário, os republicanos Mike Johnson e Jim Jordan, respectivamente, podem intimar pessoas de forma unilateral.
O ato do democrata indica, contudo, a quantidade de questionamentos que a Fifa deve enfrentar, caso o partido consiga se tornar maioria na Câmara após as eleições de novembro de 2026. Nos EUA, todas as cadeiras de deputados e cerca de 35% das vagas de senadores são renovadas no meio do mandato de cada presidente, por meio das chamadas midterms.
Hoje, os republicanos são maioria. Caso os democratas consigam inverter a situação, há a possibilidade de que Raskin assuma a presidência do Comitê Judiciário. Desta forma, poderia intimar Infantino e formalizar as investigações que pediu na carta divulgada pelo The Athletic, hoje apenas um documento de "supervisão".
As relações entre Donald Trump e Gianni Infantino foram amplamente debatidas antes e durante a Copa do Mundo. O "Prêmio da Paz" entregue pela Fifa ao presidente norte-americano durante o sorteio dos grupos do Mundial, em dezembro de 2025, foi um dos episódios que escancarou a proximidade entre os dois.
Durante a disputa do torneio, a dupla atraiu nova polêmica quando Trump ligou para Infantino reclamando do cartão vermelho aplicado pelo árbitro brasileiro Raphael Claus ao atacante Balogun, da seleção dos EUA, durante partida contra a Bósnia, na segunda fase. O jogador ficaria de fora das oitavas de final, contra a Bélgica, mas a Fifa decidiu anular o cartão, em decisão que garante ter sido "independente".
(Com Agência Estado)
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