A vitória teve reflexo direto na tabela. O time bugrino chegou aos 11 pontos e deu passo importante rumo à classificação para a próxima fase do Paulistão. A Ponte, por sua vez, segue sem vencer na competição, estacionada nos dois pontos e cada vez mais pressionada pela ameaça concreta de rebaixamento.
O duelo ganhou ainda mais importância pelo momento histórico do confronto. A vantagem mínima do Guarani no retrospecto geral - agora com 72 vitórias contra 70 da Ponte - nunca esteve tão ameaçada. O clube alviverde sustenta há 110 anos o posto de maior vencedor do dérbi, marca que esteve perto de ruir após a sequência recente favorável à Macaca, que chegou ao clássico com três vitórias e um empate desde o segundo turno da Série B de 2024.
Antes da bola rolar, um dos personagens do jogo já carregava um roteiro à parte. Ídolo da Ponte Preta, capitão e principal referência técnica do elenco, Elvis viveu semanas turbulentas. Afastado, com ação milionária na Justiça e até sondado pelo próprio Guarani, o camisa 10 parecia perto da saída definitiva. Às vésperas do dérbi 213, porém, veio a reconciliação - e o meia voltou a vestir a camisa alvinegra justamente no jogo mais simbólico da temporada.
Dentro de campo, o primeiro tempo teve dois jogos distintos. Até os 20 minutos, o Guarani dominava completamente as ações, controlava a posse e empurrava a Ponte para o próprio campo. As melhores chances saíram cedo, em finalização de Isaque de fora da área e em duas chegadas perigosas dentro da pequena área, bloqueadas pela defesa pontepretana.
O cenário mudou quando Diego Tavares foi lançado em profundidade, saiu livre na direção do gol e acabou derrubado por Caíque França. O goleiro bugrino recebeu cartão vermelho direto, alterando completamente a dinâmica do clássico. Mateus Claus entrou imediatamente e passou a ser decisivo.
Com superioridade numérica, a Ponte Preta passou a controlar o jogo e criou as principais oportunidades ainda no primeiro tempo. Cristiano finalizou duas vezes com perigo, e Diego Tavares também exigiu grandes defesas de Claus, que manteve o placar inalterado.
Na etapa final, o clássico ficou aberto. Mesmo com um homem a menos, o Guarani conseguiu equilibrar as ações com o passar do tempo e quase marcou aos 22 minutos, quando Guilherme Parede girou sobre a marcação e finalizou forte para boa defesa de Diogo Silva. Aos 30, o camisa 7 voltou a aparecer bem, mas finalizou fraco dentro da área.
Quando tudo indicava o empate, o dérbi ganhou um final dramático. Aos 46 minutos do segundo tempo, Helbert - ex-jogador da Ponte Preta, que deixou o clube em meio à crise financeira - recebeu passe de cavadinha, saiu livre na frente do gol e mandou para o fundo das redes, transformando-se no herói improvável do clássico. A Macaca ainda respondeu com uma bola na trave de Elvis nos acréscimos, mas não evitou a derrota no Brinco de Ouro.
A Ponte Preta volta a campo no sábado, às 16h, diante da Portuguesa no Canindé, em São Paulo (SP). No mesmo dia, às 18h30, o Guarani recebe o Botafogo, no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas (SP).
FICHA TÉCNICA
GUARANI 1 X 0 PONTE PRETA
GUARANI - Caíque França; Raphael Rodrigues, Maurício Antônio, Jonathan Costa e Emerson Barbosa; Willian Farias, Nathan Melo (Mateus Claus) e Isaque (Kauã Jesus); Mirandinha (Hebert), Guilherme Parede (Guilherme Cachoeira) e Maranhão (Lucca). Técnico: Matheus Costa.
PONTE PRETA - Diogo Silva; Pacheco, David Braz, Lucas Cunha e Kevyson (Lucas Emanuel); Rodrigo Souza (Rômulo), Tárik, Gustavo Telles (Elvis), Bryan Borges (Luis Phelipe) e Cristiano (Miguel); Diego Tavares. Técnico: Marcelo Fernandes.
GOLS - Hellbert, aos 46 minutos do segundo tempo.
CARTÕES AMARELOS - Emerson Barbosa, Mirandinha e Willian Farias (Guarani); Lucca, Pacheco e Rômulo (Ponte Preta)
CARTÃO VERMELHO - Caíque França (Guarani)
ÁRBITRO - Flávio Rodrigues de Souza
RENDA - R$ 260.250,00
PÚBLICO - 17.425 torcedores
LOCAL - Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas (SP).
(Com Agência Estado)
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