"Parece que entramos em um período em que grandes choques de oferta - de guerras, tarifas, clima, interrupções nas cadeias de suprimentos, petróleo e outros - se tornaram uma característica regular da economia", disse Goolsbee durante evento em Londres. Segundo ele, bancos centrais não deveriam simplesmente desconsiderar choques persistentes, ainda que essa abordagem continue adequada para perturbações temporárias.
O dirigente observou que, nos Estados Unidos, choques recentes têm sido mais frequentes, intensos e duradouros do que o inicialmente previsto. Ele citou as cadeias de suprimentos após a covid-19, as tarifas e a alta do petróleo após a guerra no Oriente Médio. "Quando se vê um grande choque de oferta, normalmente é mais preciso presumir que ele durará mais do que inicialmente pensamos", afirmou.
Goolsbee disse que o Fed precisa ver evidências de que essas pressões estão efetivamente diminuindo. Segundo ele, previsões para o pico da inflação decorrente de petróleo, tarifas e commodities vêm sendo sucessivamente adiadas, agora para algum momento de 2027.
"Precisamos de evidências de que esses choques estão realmente desaparecendo, ou é difícil enxergar um caminho crível de volta à inflação de 2%", afirmou.
Para Goolsbee, a resposta monetária a choques persistentes de oferta pode ser menor do que a necessária diante de um superaquecimento da demanda, mas não pode ser inexistente. Ele alertou ainda que o ajuste envolve um custo maior para atividade e emprego, refletindo o "doloroso trade-off" típico de choques estagflacionários.
(Com Agência Estado)
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