Um caminho tem sido os fundos temáticos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês). No mercado doméstico, eles ainda não chegaram.
O brasileiro pode alocar em Brazilian Depositary Receipts (BDRs) dos ETFs estrangeiros que já estrearam por aqui ou alocar no exterior através de alguma conta global.
Riscos
Embora a tese de investimento tenha charme e muita atualidade, é necessário ter cautela porque os riscos são consideráveis, de acordo com Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad. Ela explica que a atual tese de eletrificação e energias verdes aumentou significativamente a demanda por terras raras, que são essenciais para motores e geradores elétricos, além de terem uso militar.
Na visão da Nomad essa tese é mais adequada para perfis arrojados, pois os principais ETFs no mercado têm tipicamente volatilidade anualizada acima de 30% e são altamente sensíveis ao noticiário geopolítico e ciclos de demanda, especialmente os mais concentrados na China. A título de comparação, a taxa de volatilidade do Ibovespa anualizada é de 18,65%, segundo a B3.
"A oferta desses metais é centralizada e controlada pela China. O país asiático detém 40% das reservas e quase 70% da mineração total mundial. Ao mesmo tempo, fabricantes vêm tentando buscar alternativas ao uso de terras raras, com exemplos como carros elétricos da Renault e da BMW utilizando cobre em vez desses elementos", diz Zogbi.
Danilo Moreno, analista da Investo, gestora de ETFs com R$ 7,5 bilhões sobre gestão, reforça que para o investidor que está planejando entrar nesta tese é importante ter uma visão de longo prazo, além de uma posição com tamanho adequado e disposição para atravessar ciclos, evitando decisões baseadas apenas na narrativa do momento.
Moreno comenta que, entre os principais riscos, estão as questões geopolíticas, dado que a cadeia produtiva é concentrada geograficamente e sujeita a restrições comerciais e controles de exportação. Há também risco regulatório e ambiental, risco de execução de novos projetos e o próprio ciclo de commodities, que alterna períodos de escassez e de excesso de oferta. Soma-se a isso a volatilidade típica de empresas menores e intensivas em capital.
Potenciais de retornos
Segundo o analista da Investo, o potencial de retorno da tese está associado ao crescimento da demanda por energias renováveis, veículos elétricos e aplicações tecnológicas, além de eventuais prêmios de escassez durante momentos de tensão na oferta. No entanto, os retornos tendem a ocorrer em ondas, acompanhando anúncios de políticas industriais, restrições comerciais ou novos investimentos relevantes na cadeia.
A estrategista-chefe da Nomad alerta que a onda de subsídios e investimentos em países como os Estados Unidos, Austrália e regiões como a Europa pode estimular o crescimento de companhias não-chinesas. Com o início de operações de refino na Malásia e, mais recentemente, nos EUA, o mundo começa a diversificar gradualmente o fornecimento no médio e longo prazo, embora esse processo seja lento.
Zogbi diz que, caso as projeções de mercado se concretizem e as refinarias em outros países - fora da China - entrem em operação conforme planejado, até 2030 o resto do mundo produzirá cerca de metade do que a China produziu em 2024.
Como investir
A principal referência global neste tema é o ETF VanEck Rare Earth/Strategic Metals (REMX) da VanEck, uma gestora americana que lançou o REMX em 2010.
"Na época do lançamento, a inovação parecia muito à frente do seu tempo. Celulares, televisores de tela plana e eletrônicos de consumo semelhantes estavam na vanguarda. Os metais usados nessas aplicações estavam em alta demanda graças a esses avanços tecnológicos, além de terem aplicações fundamentais na área de defesa nacional, que ainda hoje é um grande impulsionador da demanda por esses metais", diz Brandon Rakszawski, vice-presidente e diretor de Gestão de Produtos da VanEck, em nota ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
A Global X ETFs tem um ETF no mercado norte-americano sobre o tema, o Global X Disruptive Materials ETF (DMAT). Em nota, a Global X diz que estuda trazer esse produto para o Brasil, através de um BDR na B3. Na Bolsa brasileira, a gestora já oferece BDRs de ETFs de outros metais. O BDR BURA39 oferece exposição ao fundo de urânio (Global X Uranium ETF). O BSIL39 é recibo do ETF de prata, o Global X Silver Miners ETF. O BDR BCPX39 é um recibo brasileiro do fundo de cobre Global X Copper Miners. E o BLBT39 é um BDR que replica o ETF de lítio e baterias, Global X Lithium & Battery Tech ETF.
(Com Agência Estado)
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