O recuo geral das cotações no mês superou o salto expressivo registrado no açúcar e a leve alta nos óleos vegetais. Apesar da diminuição mensal, o indicador geral permanece 16,4% abaixo do pico histórico alcançado em março de 2022.
O Índice de Preços de Cereais recuou 4,5% em comparação com setembro. As cotações internacionais do trigo caíram após quatro meses consecutivos de alta, reflexo da demanda global moderada e de perspectivas mais favoráveis para a produção, principalmente na Argentina, além de expectativas de alívio nas restrições logísticas no Mar Negro.
O milho também perdeu força após atingir a máxima em três anos em setembro, pressionado pela colheita nos Estados Unidos, pela oferta ampla na América do Sul e por projeções de diminuição de tensões no Mar Negro.
Em sentido oposto, o índice para todos os tipos de arroz subiu 1,6%, em virtude de atrasos na colheita em países exportadores, clima desfavorável e aumento de custos.
O Índice de Preços do Açúcar registrou o quarto mês seguido de valorização e atingiu o maior nível desde dezembro de 2024, ao avançar 6,6% ante setembro e 28,8% em relação a igual período de 2025. O movimento decorreu de interrupções provocadas por chuvas nas operações de colheita e moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, além de preocupações com as safras 2026/27 na Índia, União Europeia e Tailândia.
Já o Índice de Preços de Óleos Vegetais teve discreta alta de 0,3% ante setembro, puxado por óleos de soja e de girassol. O óleo de soja atingiu o maior patamar desde o fim de 2022, impulsionado pela demanda firme do setor de biocombustíveis e pela redução sazonal da oferta na América do Sul.
Em relação ao Índice de Preços da Carne, o indicador recuou 1,2% no mês, com desvalorização nas carnes suína, ovina e bovina, enquanto a avícola ficou estável.
Seguindo a queda, o Índice de Preços de Lácteos caiu 1,1%, sob pressão de manteiga e queijos, por causa da oferta abundante e do interesse comprador fraco.
Produção e comércio
Em relatório separado sobre oferta e demanda de cereais, a FAO projetou a produção global de cereais em 2026 em 3 bilhões de toneladas. Embora abaixo do recorde de 2025, o volume representa o segundo maior da história.
A organização projeta, por exemplo, que a produção de arroz deve encolher 2,5%, para 552 milhões de toneladas, afetada por margens apertadas dos produtores e por condições climáticas ligadas ao El Niño.
A FAO ainda prevê que o comércio global de cereais recue 3,3% no ciclo 2026/27, para 507,7 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pela queda de 8,6% nas transações de trigo, em virtude de gargalos logísticos e de oferta.
Já os estoques mundiais de cereais ao fim das safras em 2027 foram projetados em alta de 1,8% (mais 17,2 milhões de toneladas), levando a relação estoque/uso a 32,4%, ante o ciclo anterior.
(Com Agência Estado)
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