Com salto de quase 4.300 pontos, o Ibovespa tocou o patamar dos 189 mil pontos há pouco, com valorização forte das principais ações que compõem a carteira teórica. Vale, Petrobrás e bancos sobem mais de 2,6%.
"Todo esse ruído no STF está enfraquecendo a candidatura do Lula, e o mercado comemora", diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.
Segundo Laatus, a possibilidade de alternância de poder a partir de 2027 é bem vista pelo mercado financeiro, ainda que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal oponente ao petista, não seja a melhor opção neste momento.
Nem mesmo a queda das bolsas em Nova York impede o Ibovespa de avançar. O recuo nos EUA e na Europa ecoa o aumento das tensões geopolíticas.
A Arábia Saudita noticiou que operações de energia foram interrompidas no país depois de ataques da milícia Houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã. Desta forma, torna cada vez mais incerta a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Assim, o petróleo Brent quase tocou US$ 100, aumentando preocupações com inflação e juros mundiais, em semana de divulgação do índice de preços ao consumidor, CPI dos EUA.
"Este é o vetor número um do dia, porque contamina todo o resto. Combustível para Petrobras, PRIO e Brava, e pressão inflacionária global", diz Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.
No Brasil, a inflação também é destaque com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, na sexta-feira, após o IGP-DI subir, depois de recuo em julho.
No boletim Focus, divulgado hoje, houve avanço na projeção para a inflação suavizada em 12 meses, para 4,60%, acima do teto da meta, que é 4,50%. Já as expectativas para a taxa Selic seguiram inalteradas, como a de 2026 permanecendo em 13,75% ao ano. Atualmente, está em 14% ao ano.
No campo político, pela primeira vez, desde o começo do horário eleitoral gratuito de rádio e TV, os candidatos para presidente Lula e Flávio Bolsonaro apareceram numericamente empatados em uma pesquisa da Quaest, que simulou o cenário com os dois no segundo turno da eleição. Cada um teria 41% dos votos.
Já o levantamento BTG/Nexus, divulgado hoje, mostra que o senador do PL e o escritor Augusto Cury (Avante) ultrapassam o presidente Lula numericamente nas intenções de voto para 2º turno, mas com empate técnico.
Conforme Trevisan, da Gravus , o acirramento eleitoral para presidente do Brasil vinha sendo lido pelo mercado com prêmio de risco menor, o que foi, segundo ele, um dos motores da sequência de altas do Índice Bovespa.
Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, reforça que o crescimento das apostas de mudança política no Brasil anima. "Tem refletido aqui, no Ibovespa nesses últimos dias, sobretudo na semana passada, quando teve alta superior a 5%", afirma.
De acordo com Saravalle, isso é um dos motivos a fazer o investidor estrangeiro voltar para a B3. "Não é só o trade eleitoral, mas o petróleo também ajuda", afirma. "Lembrando que a Petrobras continua muito saudável, gerando muito caixa, bons dividendos", completa Saravalle.
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou quase no zero a zero - em queda de 0,02% -, aos 185.147,15 pontos, mas com valorização de 5,40% na semana.
Às 11h38 desta terça, subia 2,13%, aos 189.095,26 pontos, ante alta de 2,34%, na máxima em 189.487,70 pontos.
No exterior, o petróleo Brent avançava 0,94%, a US$ 97,93, e o WTI, tinha elevação de 1,59%, a US$ 92,91%. Em Dalian, o minério de ferro subiu 1,36%, a US$ 110,93 por tonelada.
(Com Agência Estado)
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