Em dia também de ajuste negativo - ainda que relativamente moderado - nos três índices de Nova York, a correção na B3 se espalhou pelas ações de primeira linha, com destaque para o setor financeiro, o de maior peso no Ibovespa. No segmento, as perdas entre as maiores instituições chegaram a 2,12% em Itaú PN e a 2,05% em BTG Unit. Os carros-chefes das commodities também cederam terreno, com a estatal em baixa de 0,23% na ON e de 0,75% na PN, enquanto Vale ON, principal papel do Ibovespa, caiu 0,99% e já acumula perda de 2,97% na semana e de 0,20% no mês. Petrobras ON e PN, por sua vez, cedem 5,59% e 6,09% em maio, respectivamente.
Dos 79 papéis da carteira Ibovespa, apenas quatro fecharam a sessão no campo positivo: Usiminas (+1,11%), Prio (+0,73%), TIM (+0,63%) e Smart Fit (+0,11%). Do lado contrário, as perdas nesta terça-feira foram lideradas por Cosan (-6,35%), B3 (-4,96%), C&A (-4,70%) e CSN Mineração (-4,67%).
"Foi mais um dia pesado para o Ibovespa, com o cenário global. Recomposição dos estoques de petróleo pelos países afetados tende a resultar em uma segunda onda inflacionária, entre junho e julho, o que já tem se refletido nos juros de mercado dos Estados Unidos, sem a perspectiva de uma reabertura em breve do Estreito de Ormuz", diz Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos. "Trump tem tido dificuldade para justificar os motivos da guerra e obter uma declaração de vitória nas negociações com o Irã, o que pesa, e muito, sobre a aprovação de seu governo em ano de eleições legislativas, de meio de mandato", acrescenta.
"Houve, hoje, um forte movimento de aversão ao risco globalmente, pelas pressões inflacionárias derivadas dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo, que pressionam as taxas das Treasuries, com destaque para o título de 30 anos, que atingiu o maior nível de rendimentos desde 2007", observa também Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Outro desdobramento negativo, no front doméstico, aponta Cima, da Manchester, é certo desânimo do mercado quanto à possibilidade de mudança de governo na eleição de outubro, no Brasil, em meio ao recente enfraquecimento da principal candidatura de oposição até o momento, a do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nesta terça, o pré-candidato do PL à Presidência admitiu ter ido à casa do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, no fim de 2025, conforme havia informado o portal Metrópoles. Segundo o senador, seu objetivo, com a visita, foi "pôr ponto final nessa história". "Quando Vorcaro foi preso, tivemos virada de chave, e entendemos que situação era grave."
Pesquisa realizada após o chamado "Flávio 2.0" já mostra o enfraquecimento da candidatura, destaca Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o que se compôs negativamente com a aversão global a risco que prevaleceu na sessão desta terça-feira. "Diminui a possibilidade de alternância de poder, sabendo-se que o atual governo é 'gastão' e não mostra disposição de mudar em eventual novo mandato, que seria o quarto, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva", acrescenta.
(Com Agência Estado)
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