Apesar de ser a principal aposta do setor aéreo para descarbonização, a oferta limitada de SAF é considerada um gargalo. O custo mais elevado do combustível verde em relação ao querosene de aviação (QAV) também é visto como um desafio.
"Parece que este será mais um ano decepcionante para a produção de SAF", afirmou o diretor-geral da Iata, Willie Walsh. O executivo acrescentou que o caminho para atingir as metas de descarbonização aérea está se tornando mais difícil a cada ano, "com políticas governamentais mal sequenciadas e o desinteresse das empresas petrolíferas".
Walsh disse também que o atual choque energético, em meio à guerra no Oriente Médio, deveria tornar ainda mais urgente o desenvolvimento de energias renováveis, incluindo o SAF. "Mas ainda não vimos a urgência de mitigar as mudanças climáticas se materializarem nos incentivos necessários para criar um mercado viável de SAF", reforçou.
Potencial brasileiro
Em um cenário oferta ainda reduzida, a Iata avalia que o Brasil reúne condições para se tornar um dos principais polos globais de produção de SAF nas próximas décadas. Segundo a entidade, cerca de 60 milhões de toneladas do combustível sustentável poderão ser produzidas no País até 2050.
A associação destaca que a Política Nacional de Transição Energética, o Programa de Aceleração da Transição Energética e iniciativas como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro criam condições para ampliar o uso de biocombustíveis nos transportes, incluindo a aviação.
Com isso, a Iata avalia que além de atender à demanda doméstica, o Brasil tem potencial para se tornar um importante fornecedor global de matérias-primas e exportador de SAF.
*A repórter viajou a convite da Iata
(Com Agência Estado)
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