As informações constam do Boletim Macrofiscal, publicado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) nesta quarta-feira, 15.
"Aumento das expectativas de inflação, espaço para repasse dos preços do atacado ao consumidor e probabilidade de El Niño mais intenso elevaram as projeções para o IPCA no segundo semestre", justifica a SPE. "Em contrapartida, o câmbio apreciado, a política monetária contracionista, as medidas para conter o preço dos combustíveis e a desaceleração econômica no segundo semestre contribuem para atenuar a inflação", prossegue.
A pasta coloca que há um desafio global desencadeado pela crise do petróleo, com impacto generalizado sobre a inflação e o crescimento. "Apesar da acomodação nas cotações de petróleo e de algumas commodities, os efeitos de segunda ordem podem demorar a se dissipar, sobretudo em um cenário ainda marcado por incertezas geopolíticas", diz a secretaria.
Nos Estados Unidos, a menor dependência externa do petróleo amortece o choque, mas os combustíveis mais caros repercutem na inflação - trade off que sustenta a cautela do Fed, prossegue a SPE. Na área do euro, a alta de petróleo e gás pressionam a inflação e a renda real. O Banco Central Europeu (BCE) segue atento a efeitos de segunda ordem. Já na China, a secretaria destacou que os estoques e o controle de preços seguram o repasse no curto prazo. "Mas um conflito longo eleva custos industriais e desorganiza cadeias, repercutindo sobre a inflação ao produtor", completa.
No caso da inflação de alimentos, a secretaria coloca que, apesar da deflação de alimentos em junho, a inflação acumulada em 12 meses segue pressionada por in natura, leite, arroz e feijão, produtos que apresentaram altas acima do padrão histórico.
Já no que se refere à inflação de bens industriais e serviços, a pasta colocou que a aceleração reflete altas em higiene pessoal. "Serviços seguem pressionados, principalmente por passagem aérea, mas medidas subjacentes mostram desaceleração nos últimos meses", diz.
Para 2027, a expectativa de inflação também foi revisada para cima, passando de 3,5% para 3,6%.
Para os anos seguintes, projeta-se inflação convergindo para a meta, em 3,0% em 2028, 2029 e 2030.
INPC e IGP-DI
A projeção da Fazenda para o INPC de 2026 subiu de 4,6% para 5,3%.
Para o IGP-DI, a previsão subiu de 4,9% para 5,6% em 2026.
(Com Agência Estado)
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