Segundo investigação da Polícia Federal (PF), de janeiro a junho de 2025, o BRB comprou, no total, R$ 6,7 bilhões em carteiras falsas do Master e pagou mais R$ 5,5 bilhões de prêmio, totalizando R$ 12,2 bilhões.
As carteiras foram originadas pela Tirreno, uma empresa classificada como "de prateleira" pela Polícia Federal, e pela Cartos, com a qual o Master tinha relações.
O ex-presidente do BRB disse que não identificou esses ativos como "podres", mas admitiu que o banco brasiliense encontrou problemas na documentação que não atendia aos padrões exigidos pelo Banco Central.
Em maio do ano passado, segundo Paulo Henrique Costa, ele cobrou diretamente Vorcaro antes de decidir fazer a substituição das carteiras. Foi nessa época que o BRB teria identificado que, na verdade, os créditos eram de origem de outras empresas, a Tirreno e a Cartos, e não do Master.
"O meu celular vai mostrar esses registros, essas cobranças, nem sempre de uma maneira muito delicada, de recebimento e busca desses documentos", disse Paulo Henrique à Polícia Federal.
No depoimento, o ex-presidente do BRB disse que o banco passou a ter duas opções sobre o que fazer com a carteira do Banco Master. A primeira era fazer com que o banco de Daniel Vorcaro substituísse os ativos por outros - o que acabou sendo feito. A segunda era revender essa carteira para a Tirreno e a Cartos, como de fato chegou a ser negociado com representantes dessas duas empresas.
Segundo Paulo Henrique Costa, nunca foi possível vender na íntegra os R$ 6,7 bilhões comprados do Master porque esse dinheiro "não existia no Master" e era apenas um saldo contábil no banco de Daniel Vorcaro.
"Na investigação, parece que o dinheiro existia e estava depositado no Master, e não estava, aquilo era um saldo contábil. A gente não exerceu o direito imediato de receber aquele dinheiro porque geraria uma quebra e o BRB não conseguiria concluir o ciclo de troca de ativos que ele precisava cumprir. Geraria uma perda para o BRB significativa."
(Com Agência Estado)
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