Em teleconferência nesta quarta, o presidente do grupo, Alexandre Santoro, afirmou que "uma companhia com a operação, a marca e a posição de mercado que o GPA possui não pode permanecer anos sem gerar caixa".
No quarto trimestre do ano passado, o GPA registrou um prejuízo líquido consolidado de R$ 572 milhões, redução de 48,2% em relação ao prejuízo de R$ 1,1 bilhão apurado em igual período de 2024. Segundo a auditoria, ao fim de 2025, o GPA apresentava déficit de capital circulante líquido de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, decorrente principalmente de empréstimos e debêntures com vencimento em 2026 no montante de R$ 1,7 bilhão.
"Apesar de melhora nos principais indicadores operacionais, bem como geração positiva recorrente de caixa operacional, a companhia continua apurando prejuízo no período", informou a Deloitte no balanço da companhia.
De acordo com o presidente do GPA, "algo em torno de 20% a 25% das lojas têm performance aquém do que tinham no business plan ou do que imaginamos que seja o potencial". Ele afirmou que o porcentual pode ser um pouco maior no formato de proximidade - como o Pão de Açúcar Minuto - e menor nas bandeiras Pão de Açúcar e Extra.
Santoro assumiu o cargo em 5 de janeiro, após a renúncia de Marcelo Pimentel, em outubro do ano passado. No período de vacância, o vice-presidente financeiro, Rafael Russowsky, ficou na presidência do GPA. Ele deixou a companhia em janeiro.
No ano passado, a companhia passou a ter novos controladores, com a chegada da família Coelho Diniz, que detém um rede de supermercados com forte presença em Minas Gerais. Os Coelho Diniz detêm 24,6% de participação no GPA e André Coelho Diniz preside o conselho de administração desde outubro de 2025.
Iniciativas
Em seu balanço, a administração do GPA afirma que adota iniciativas que incluem negociações para alongamento de prazos das dívidas financeiras, redução do custo financeiro e de despesas e monetização de créditos tributários.
Embora a auditoria tenha apontado incerteza relevante sobre a continuidade operacional, as demonstrações financeiras foram preparadas assumindo que o GPA continuará funcionando operando normalmente. Assim, não foram realizados ajustes nos ativos ou nas dívidas para refletir um eventual cenário de deterioração financeira.
Ajustes
O presidente do GPA afirmou que a prioridade no momento é realizar ajustes em lojas que são deficitárias com a revisão da estrutura de custos. Em alguns casos, a companhia tem identificado contratos considerados excessivos. "Temos situações em que o aluguel da loja é absolutamente desproporcional", disse Santoro.
De acordo com ele, a primeira alternativa é buscar renegociação com proprietários. "Em caso de insucesso, em alguns casos, podemos tomar a decisão de fechar."
Santoro afirmou ainda que há contratos atualmente "desconectados do tamanho e da realidade da empresa", indicando necessidade de revisão de compromissos.
O executivo ressaltou, contudo, que o encerramento de lojas não é a estratégia central no momento. "O fechamento de lojas deveria ser realmente o último recurso", afirmou aos acionistas, acrescentando que não há previsão de redução substancial da rede no curto prazo.
Santoro também disse que a companhia reavalia sua presença geográfica e pretende concentrar investimentos e esforços em regiões consideradas prioritárias, como São Paulo, Rio e Distrito Federal, dentro da estratégia de fortalecer a rentabilidade da operação existente.
O executivo também reconheceu a existência de passivos estruturais, incluindo fiscais e trabalhistas, e afirmou que o alongamento das dívidas faz parte da agenda da administração. "Estamos plenamente conscientes da importância desse tema e seguimos conduzindo essa frente com diálogo com os credores."
Avaliações
Para o Banco Safra, o GPA apresentou resultados operacionais como o esperado no quarto trimestre do ano passado, mas manteve a queima de caixa como principal ponto de atenção. A instituição lembra que, nos últimos 12 meses, o consumo líquido atingiu R$ 786 milhões ao se desconsiderar o efeito positivo de R$ 93 milhões provenientes do recente aumento de capital e da venda de ativos.
"Apesar da melhoria na margem bruta, consideramos o resultado negativo, visto que a empresa reportou mais um trimestre de consumo de caixa e apresentou uma estrutura de capital desequilibrada", disseram os analistas Vitor Pini, Renan Sartório e Tales Granello. O Safra tem preço-alvo para as ações do GPA de R$ 4, o que representa um potencial de valorização de 28%, no comparativo com o fechamento de terça-feira.
O Itaú BBA avaliou que o balanço do GPA reforçou a "resiliência" operacional da companhia em um ambiente ainda desafiador para o consumo, mas destacou que a alavancagem elevada e o peso das despesas financeiras continuam limitando a melhora do resultado final.
Com isso, o banco reiterou recomendação neutra para as ações do GPA, com preço-alvo de R$ 4, o que representa um potencial de valorização de 27,7% frente o fechamento desta terça, 24. (COLABOROU ANA PAULA MACHADO)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
(Com Agência Estado)
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