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Cuiabanália Domingo, 26 de Janeiro de 2014, 13:57 - A | A

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Domingo, 26 de Janeiro de 2014, 13h:57 - A | A

FOLCLORE DO FUTEBOL DE MT

“Se a bola é feita do couro da vaca, que pasta no chão, tem que rolar...”

Tchê Teodorico, brilhante técnico do Clube Esportivo Operário Várzea-grandense na década de 60, se achava esperto...

NELSON SEVERINO






Analfabeto de pai e mãe, como se diz, o treinador Tchê Teodorico, que teve brilhante passagem pelo Clube Esportivo Operário Várzea-grandense na década de 60, usava com freqüência a frase acima, para convencer os jogadores que a bola tem que rolar na grama ou no chão nos campos de terra para facilitar o domínio do companheiro que vai recebê-la.

Claro que a frase não é dele. O criador da preciosidade foi Gentil Cardoso, que passou por muitos clubes de renome no futebol brasileiro entre eles o Botafogo, do Rio de Janeiro, na década de 50, nos tempos que o chamado clube da Estrela Solitária tinha Veludo, Garrincha, Didi, Amarildo, Quarentinha, Zagalo, Nilton Santos...

Tchê Teodorico tinha vergonha de não ser alfabetizado. E procurava de todas as formas esconder essa triste condição social que ainda expõe a humilhação muitas pessoas deste país-continente de cerca de 200 milhões de habitantes.

Zé Pulula/José Eustáquio

Operário, primeiro Campeão dos Campeões de MT - 1964

Mas Tchê era muito esperto. Tanto é que não assinava nada, mesmo que fossem propostas vantajosas na sua área de atuação profissional, o futebol, sem que sua bela esposa lesse o papel para ele colocar seu dedão da mão direita sujo de tinta de carimbo para confirmar sua impressão digital.

E se alguém, inclusive jogadores do seu time lhe pedisse um aval para comprar alguma coisa à prestação no comércio, alugar uma casa, aí, sim, não se envergonhava de alardear sua condição. “Como vou avalizar se sou analfabeto? – ponderava, tirando o corpo fora para evitar um eventual calote...

Morador de Alto Araguaia, onde durante muitos anos carregou nas costas e nos bolsos o Araguaia Esporte Clube, Pedro Lima acompanhou bem a trajetória vitoriosa de Tchê Teodorico em sua passagem pelo futebol mato-grossense e goiano, principalmente no Vila Nova.

Recorda Pedro Lima que à época o Vila Nova tinha um ponteiro esquerdo, chamado Caixão, muito bom de bola, que vivia passando a perna no treinador. Quando precisava fazer um vale com alguém para arrumar um dinheirinho, geralmente a primeira pessoa que o espertalhão procurava era Tchê.

E repetia sempre o mesmo golpe. Caixão chegava com uma página ou um recorte de jornal nas mãos e caía logo matando: “O professor viu a matéria que saiu no jornal elogiando o senhor?”. E às vezes até ”lia” a matéria para massagear o ego do treinador. Dada a mordida, Caixão caía fora com o dinheiro no bolso...

Uma vez, Caixão encontrou Tchê sentado em uma praça em Goiânia e partiu para a velha conversa da notícia no jornal. Mas nesse dia levou azar. Nem bem pegou uma grana do treinador, Caixão bateu em retirada. Mas na hora chegou um torcedor, a quem Tchê, todo gabola, mostrou o recorte do jornal com elogios ao seu trabalho no Vila Nova...

– Mas o jornal não está dizendo nada disso, homem. A notícia é sobre um violento assassinato ontem à noite em Goiânia, seu Tchê! – disse o torcedor.

Só aí então Tchê caiu na real e se deu conta de quantos golpes havia levado do espertalhão Caixão...

Não se sabe se na sua passagem pelo Operário, Tchê Teodorico foi também vítima de golpes de jogadores por causa de seu analfabetismo. O que se sabe é que o treinador era chegadinho no preparo de “águas especiais” com ingredientes comprados em drogarias para saciar a sede da rapaziada que entrava em campo nos jogos mais importantes do tricolor...

Como aconteceu na decisão do Campeonato Mato-grossense de Futebol de 1968/69 contra o Mixto, quando o meio campo Tatu queria porque queria sair de madrugada da boate Tabaris, onde o Operário comemorava a conquista do título, e voltar ao Verdão para continuar jogando...

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