O que vem ao caso é que reunindo em Cuiabá jogadores da capital, de Campo Grande e de Corumbá, o treinador Muriaci havia formado uma seleção de craques como Pelezinho, o gago, Avião, Dunga, Magalhães, Garrafinha, Bananeira, Darci, Lara, os irmãos Ariel e Acácio, Fulepa e tantos outros para a disputa do certame.
Por causa das dificuldades de transporte – não havia tantos aviões no céu como agora – o campeonato daquela época era regionalizado para diminuir as distâncias dos jogos. Mato Grosso tinha passado pela fase regional e ia jogar fora.
A emissora em que Pedro Silva, que brilhou no rádio cuiabano, trabalhando na Difusora Bom Jesus de Cuiabá, Cultura e a Voz D’Oeste, resolveu transmitir o jogo.
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Naquele tempo, a transmissão de um jogo de futebol ou outro evento era uma aventura que nem sempre dava certo. O método mais simples e largamente utilizado à época era improvisar uma antena com altíssimas varas de bambu e recorrer a um aparelho de rádio amador para completar a “engenharia”.
O avião em que Pedro Silva embarcou em Cuiabá com destino a São Paulo, com sua equipe de transmissão, saiu com atraso, o que o deixou um tanto nervoso, pois poderiam chegar atrasados ao local do jogo.
De repente, após um vôo rápido, que causou estranheza aos passageiros acostumados ao trajeto Cuiabá-São Paulo, a aeronave iniciou os procedimentos para aterrissar.
E aí uma comissária de bordo, com sua voz suave e delicada anunciou: “Senhores passageiros, afivelem os cintos de segurança... por causa de um problema de ordem técnica, vamos pousar em Goiânia...
Pedro Silva, que já estava puto da vida com o atraso na decolagem em Cuiabá, saltou da sua poltrona e gritou “Nada disso, não vamos dormir em Goiânia coisa nenhuma. Nós gastamos muito dinheiro para transmitir o jogo de hoje à noite e não podemos decepcionar nossos ouvintes, de jeito nenhum...”
Foi um escândalo e tanto dentro do avião, com os passageiros não entendendo patavina do que estava acontecendo, enquanto a tripulação da aeronave tentava acalmar Pedro Silva.
– Eu não me lembro dessa história, mas deve ter acontecido, sim – admite Pedro Silva, que vai completar 75 anos e ainda trabalha, e muito, ajudando a esposa Inil de Melo e Silva, a administrar a bem sucedida empresa de produção de vassouras do casal e que inclusive já tem uma filial no nortão de Mato Grosso. “Eu ando muito fraco de memória...” – justifica-se Pedro Silva.
Só na Difusora Bom Jesus de Cuiabá Pedro Silva trabalhou 13 anos. Ele foi também jornalista, contador e bancário e chegou a ter um semanário esportivo – A Gazeta Mato-grossense – que circulava aos domingos, encartado no diário O Estado de Mato Grosso.
Em 2009, ele foi homenageado pelo Grupo Gazeta de Comunicação, que deu seu nome ao Troféu Gazeta de Futebol Master. E recebeu também, recentemente, a medalha de Honra ao Mérito Esportivo, do Governo do Estado.
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Elifas Ribeiro 17/02/2014
Eu cheguei em cuiaba em 1964 nunca vi falar nesse nome (me desculpe)
1 comentários