– Leônidas bate o bumbo/ Uir para falar/ Congá para o Dito pegar...
Este refrão era repetido muitas vezes na música cantada todas as sextas-feiras a noite, em finais de semana quando o time do Mixto tinha jogos importantes pelo Campeonato Cuiabano de Futebol ou outras competições, cujos títulos lhe interessava.
O Dito do refrão era o Dito Gasolina, jogador do Mixto, e que durante muitos anos ao longo da década de 60 e até um pouco mais disputou com Fulepa o título de melhor goleiro do futebol mato-grossense.
Quem recorda o refrão da música é o advogado, radialista, jornalista e procurador aposentado Olintho Gonçalves Filho, que morava na Rua 24 de Outubro, nas imediações do imóvel onde residia Dito Gasolina e que virava um terreiro de cultos afros nas noites de sextas-feiras às vésperas de jogos.
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Rolava de tudo nos terreiros de macumba de Cuiabá e Várzea Grande às vésperas de jogos importantes, envolvendo principalmente Mixto, Dom Bosco e Operário, de Várzea Grande. Sangue de bode preto, sacrifícios de galinhas pretas, queima de velas de todas as cores, principalmente pretas, cachaça e muita pólvora.
Alguns pais e mães de santos exageravam nos “trabalhos”. Quando estava no Operário, o atacante Bife andou perto de ficar de fora de um clássico contra o Mixto por causa de queimaduras provocadas em suas pernas por excesso de pólvora na roda em que foi colocado como parte do ritual de “fechamento de corpo” contra adversários.
Não eram apenas dirigentes e jogadores que acreditavam na influência da macumba no futebol. O pai de santo Alírio Ferreira da Silva, que até hoje tem uma tenda que foi muito freqüentada pelos maiores craques que já passaram pelo Operário – Bife, Odenir Upa Neguinho, Carlão, Ruiter, Gilson Lira, Gaguinho, etc., – era muito procurado por torcedores do tricolor quando o time entrava em crise para saber se o clube estava lhe devendo alguma coisa...
– O Operário não me deve nem um pavio (vela) – respondia Alírio...
O trabalho na casa de Dito Gasolina era apoiado por Ranulpho Paes de Barros, que também morava na Rua 24 de Outubro. Pela sua dedicação do dirigente ao alvinegro, Olintho acabou se tornando um admirador de Ranulpho Paes de Barros, que considerava “o homem dos sete instrumentos”, pois fazia de tudo no Tigrão da Vargas.
Nos dias de jogos de jogos, os boleiros convocados se reuniam horas antes na casa de Paes de Barros, onde faziam um pré-aquecimento e depois seguiam já uniformizados e a pé para o campo do Colégio Estadual, hoje Liceu Cuiabano, palco de grandes espetáculos do futebol do passado, antes da construção do Dutrinha...
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