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CORAÇÃO AFLITO

Venezuelanos em Cuiabá vivem desespero sem notícias de familiares após terremoto

Padre responsável pela Casa do Migrante disse que parte dos venezuelanos atendidos são de Caracas, um dos epicentros do desastre natural

CAMILA RIBEIRO
Da Redação

Os 80 venezuelanos atendidos pelo Centro de Pastoral para Migrantes, em Cuiabá, vivem horas de angústia após o terremoto de magnitude 7,5 que atingiu a Venezuela na noite de quarta-feira (24). Segundo o diretor da instituição, padre Mauro Antonio Verzeletti, muitos ainda não conseguiram contato com familiares e amigos que permanecem no país.

A preocupação aumenta à medida que sobe o número de vítimas. Até o fechamento desta reportagem, o governo venezuelano contabilizava 164 mortes em decorrência do desastre.

LEIA MAIS: Mortos em terremotos chegam a 164 e há quase mil feridos

Os migrantes estão vivendo essa dor

De acordo com Verzeletti, a maior aflição dos migrantes é a falta de informações sobre parentes desaparecidos. Sem comunicação com as áreas atingidas, eles não sabem se os familiares estão em segurança, feridos, soterrados ou entre as vítimas fatais.

"É um panorama muito triste. Os migrantes estão vivendo essa dor porque não conseguem se comunicar com seus familiares. Não sabem se estão vivos, mortos ou soterrados, nem em que situação se encontram. O sistema de comunicação também está colapsado neste momento", relatou o padre ao HNT nesta quinta-feira (25).

"NÚMERO DE MORTOS DEVE AUMENTAR"

Reprodução

Terremoto venezuela

O site 'Desaparecidos Terremoto Venezuela' auxilia venezuelanos a localizarem familiares.

Para auxiliar na localização das vítimas, foi criado site 'Desaparecidos Terremoto Venezuela'. Segundo a plataforma, cerca de 32 mil pessoas estão sendo procuradas, enquanto mais de duas mil já foram localizadas e consideradas em segurança.

Parte dos venezuelanos acompanhados pela Pastoral é originária de Caracas, uma das regiões mais afetadas pelo terremoto. Na capital, edifícios e residências foram destruídos pela força do tremor.

Verzeletti conhece de perto os impactos de tragédias desse tipo. Antes de atuar em Mato Grosso, ele acompanhou situações semelhantes durante trabalhos pastorais na Guatemala, em El Salvador e no México. O padre acredita que a tendência é o número de mortos escalar. 

O governo da Venezuela confirmou  164 mortes

"Os próximos dias serão muito difíceis. Infelizmente, o número de mortos ainda deve aumentar à medida que as buscas avançam. Além disso, é provável que uma nova onda migratória surja em razão dessa tragédia", avaliou.

 

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