O pequeno produtor Roneilton Oliveira, da propriedade "Cia do Mel" em Cotriguaçu (950 km de Cuiabá), tornou-se o símbolo de uma nova era para a agricultura familiar em Mato Grosso. Ao unir a força da apicultura com o cultivo estratégico de café clonal, ele conseguiu um feito raro: fazer com que as duas atividades se potencializassem. O resultado é uma produção de mel que chega a uma tonelada por ano e uma expectativa de colheita de até 80 sacas de café em uma área reduzida, provando que a tecnologia e o manejo correto podem gerar renda digna mesmo em propriedades de pequena escala.
Essa transformação não é por acaso e faz parte da "Rota do Café", uma ofensiva técnica da Empaer e da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT). O projeto, que já investiu R$ 9,7 milhões em máquinas e implementos na região ao longo dos últimos sete anos, apresentou resultados de um estudo de meia década que avaliou 50 clones de café. O objetivo é entregar ao produtor as variedades mais resistentes e lucrativas para o Norte e Noroeste do estado, garantindo que o agricultor tenha em mãos um produto de "excelência" pronto para o mercado.
A sinergia na fazenda de Roneilton é o que especialistas chamam de equilíbrio perfeito entre produção e natureza. Ao instalar o apiário próximo ao cafezal, o produtor viu a mágica da polinização acontecer: as abelhas aumentaram a produtividade das plantas enquanto garantiam um mel de altíssima qualidade, comercializado com rótulo próprio no município. "O produtor não quer nada de graça, ele quer condições para produzir. O restante ele faz acontecer", afirma Roneilton, que hoje colhe os frutos de uma espera de 40 anos pela infraestrutura e logística que finalmente chegaram à região.
Com a pavimentação de estradas e novas pontes, o isolamento do Noroeste de Mato Grosso ficou no passado, abrindo caminho para que o café clonal de Cotriguaçu alcance novos mercados. A Rota do Café segue agora para suas etapas finais em Nova Bandeirantes e Nova Monte Verde, nos dias 8 e 9 de abril, levando a promessa de que a mecanização e o associativismo são as chaves para que mais famílias alcancem a independência financeira no campo, transformando Mato Grosso em uma potência também na produção de grãos diferenciados.
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