Cidades Sexta-feira, 24 de Junho de 2011, 14:29 - A | A

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SEGURANÇA MÁXIMA

Penitenciária é de grande risco, alega ex-diretor de presídio em Cuiabá

Diretoria da unidade pede demissão depois de quase uma semana de rebeliões e morte de duas pessoas

HÉRICA TEIXEIRA
herica@hipernoticias.com.br

Arquivo
Em uma semana ocorreram rebeliões, tumulto e duas mortes no maior presídio de Mato Grosso

“Estava perigoso trabalhar lá”. Esta frase é do ex-diretor da Penitenciária Central do Estado (PCE), antigo Presídio Pascoal Ramos, Jean Carlos Gonçalves, e sintetiza o barril de pólvora que se transformou a unidade de segurança localizada no perímetro urbano de Cuiabá. Em uma semana, ocorreram duas rebeliões e um tumulto. Em um dos motins, presidiário e carcereiro foram mortos.

 

O então diretor penitenciária e outros sete funcionários pediram demissão na quinta-feira (23), três dias após rebelião que terminou na morte do agente prisional Wesley da Silva Santos e do detento Uenes Brito dos Santos.

Jean Carlos evitou estender assunto sobre sua verdadeira saída, pois estava tratando disso com a secretaria. “Eu saí por causa dos fatos que estavam acontecendo lá. Não vou falar mais nada, estou conversando com a secretaria”, disse e logo em seguida desligou o celular e não atendeu mais as ligações.

O superintendente de Gestão de Penitenciárias, José Carlos, disse que saída do ex-gerente foi uma decisão pessoal. “Ninguém pediu para ele sair, a decisão foi pessoal dele (sic)”, argumentou.

Quando perguntado sobre os riscos de trabalhar na penitenciária, José Carlos disse que sempre há perigo em presídios. “Os riscos sempre existem, mas está tudo sendo reestruturado. E os agentes tem consciência de que todos os processos de segurança devem ser feitos internamente”, justificou.

José Carlos explicou que há possibilidade de remanejamento de presos para outras cidades. Ele argumentou que a intenção de remanejar alguns presos já existia antes mesmo da interdição, que aconteceu em abril deste ano.

“Com a interdição das três unidades penitenciárias da Capital, que são Penitenciária Central, Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC) e a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto. A intenção de remanejamento existe, pois a penitenciária está lotada”, disse.

Quando a penitenciária está interditada operam com capacidade parcial e o recebimento de presos é proibido. “A unidade não para de funcionar, mas não pode receber presos de outras cidades”, frisou.

MUDANÇAS

O superintendente de Gestão explicou que um dia após a rebelião teve uma reunião com o então diretor, Jean Carlos, e demais funcionários da Penitenciária Central para que fossem estudadas maneiras de evitar que novas rebeliões acontecessem. “Conversei com os líderes e estudamos maneiras para reformular o sistema de segurança. Houve uma reestruturação na área”, concluiu.

PEDIRAM DEMISSÃO

Além de Jean Carlos, funcionários que pediram demissão são o sub-diretor Isaías Marques de Oliveira, a gerente administrativa Cristian Auxiliadora, o chefe de segurança e disciplina Everton Santana e mais quatro agentes responsáveis pela carceragem no presídio.



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CARLA 25/06/2011

Que não tem investimentos no sistema penitenciario é fato, mas há que se considerar que quem trabalha mesmo lá na PCE é a PM. Não é sem razão que o presidente do sindicato está pedindo mais policia e não mais agentes, apesar da lei orgânica dos agentes determinar que a segurança interna é dos agentes e eles foram capacitados (COPE. O fato é um só, os agentes ganham 3.000,00 em início de carreira mas se o preso espirrar mais forte, os agentes chamam a PM, sendo que um soldado não ganha nem metade disso. Além disso, os agentes trabalham 24 horas (e dormem neste tempo) e descansam 72, ou seja, trabalham um dia e folgam 3 dias e a Pm está trabalhando quase sem descanso pra fazer um trabalho que não é deles e para o qual não ganham. Está errado.

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