Crise. A palavra que na atualidade é uma das mais faladas no meio comercial e financeiro do Brasil não existe ou já foi superada com o famoso "jeitinho brasileiro". Nas ruas do país o que mais se vê, fora o comércio fechado ou vazio de funcionários e clientes, são vendedores ambulantes.
Esses tipos de guerreiros que ficam em semáforos, ns vias públicos, entre outros pontos, são o retrato da crise brasileira, que já deixou 11,8 milhões de desempregados, segundo a última pesquisa do IBGE.
Alan Cosme/HiperNoticias
Com a simpatia de sempre, o ex-policial Ailton Ferreira Lopes vende sucos na região da XV de Novembro
A medida que a economia piora – o PIB brasileiro caiu 0,6% no 2º trimestre deste ano –, cada vez mais postos de trabalho são fechados. Em Cuiabá, por exemplos, hotéis, bares, restaurantes e até lojas de eletrodomésticos têm fechado as portas ou diminuído o quadro de servidores devido a baixa nas vendas.
E uma das saídas é ir para o semáforo, armas barracas em praça ou colocar isopor nas costas e buscar outra maneira de sustento para a família, já que emprego hoje em dia está escasso.
Ailton Ferreira Lopes, 55 anos, policial militar aposentado, é uma das figuras mais carismáticas do trânsito de Cuiabá. Vendedor de sucos de laranja há oito anos, o homem traja um chapéu de palha para se livrar do forte sol e mantém seu ponto no entroncamento da Avenida Dom Aquino com a XV de Novembro.
Sempre com sorriso no rosto, o pai de família que tem cinco filhos, diz que chega a tirar até R$ 2,5 mil só com a venda de sucos. “Não se pode ficar em casa apenas esperando o dinheiro da aposentadoria. Eu acordo cedo, faço os sucos junto com minha esposa e trago para ao sinal. Essa grana aqui me ajuda a suprir outros gastos que tenho”, disse o vendedor.
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Os sucos de Ailton são de R$ 3 e R$ 5. Por dia ele vende mais de 70 garrafas
Com uma vida considerada tranqüila, o homem se dá o luxo de não trabalhar à tarde nem sábados e domingos, mas garante que se jovens fizessem o que ele faz, com certeza o crime seria menor no país todo. “O que eu vejo aqui é que muitos pedem dinheiro no sinal. Eles precisam inventar, inovar, driblar a crise. Se os criminosos que “roubam para viver” fizesse o que faço, com certeza o crime seria menor”, disse.
Ailton chega às 08h e sair da avenida apenas quando termina as vendas. Por dia, ele vende 58 garrafas de 300 ml de suco de laranja a R$ 3 e 20 de R$ 5 com 500 ml. “Já vendi bem mais, porém agora a crise chegou. O povo gasta menos. Quando faz frio também vendo pouco, mas por dia eu vendo quase 70 garrafinhas. Seu ficar em casa, eu não ganho esse dinheiro”, frisou o ex-policial.
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Anielle Kelke confirma que trabalha para ajudar o marido e pagar a escola da filha
Na Praça Ipiranga, centro de Cuiabá, várias pessoas fizeram do local um verdadeiro ponto de venda ambulante. Local de passagem de pessoas que buscam o Ganha Tempo, lojas de eletrodomésticos, ponto de ônibus e até um lanche, a praça chega a registrar o fluxo de mais de 10 mil pessoas por dia.
Por lá a reportagem encontrou a vendedora de peças íntimas Anielle Kelke dos Santos, 28 anos. Há um ano e meio, ela trabalha no local com banca fixa e ainda faz venda de cuecas e calcinhas em casa.
“Trabalhar pra mim é a saída. Eu preciso sobreviver, pagar escola da minha filha, por isso estou aqui”, disse, toda sorridente.
Kelke ainda foi além e confirmou que se Dilma Rousseff estivesse como presidente da República, a crise era menor. “No tempo da Dilma eu vendia mais. Agora vendo menos. Falaram que ela roubava. Quem rouba está por lá hoje como comandante”, disse a mulher.
O marido de Kelke trabalha como pedreiro e ela tira em torno de R$ 1000 por mês, na sua humilde banca na esquina da Avenida Treze de Junho.
Na mesma praça, encontramos Gabriel Tavares. Com 18 anos, ele afirmou que ajuda o pai desde que era criança. Na Praça Ipiranga, ele trabalha como vendedor de frutas há dois anos.
Por lá se encontra laranja, banana, uva, maça, mexirica e morango. O preço varia entre R$ 5 e R$ 10 reais. “Ajudo meu pai e ainda faço disso uma saída para o meu desemprego. Hoje em dia está difícil alguém contratar. Crise chegou para todo mundo. A barraca de fruta na praça faz muita gente trocar o salgado pelo que é saudável”, garante o rapaz empreendedor, que garante tirar entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil por mês.
Na região do calçadão, encontramos Jeferson de Castro Cesar, 32 anos, mais conhecido como Ceará. Há dez anos em Cuiabá, ele é vendedor de camisas da região central de Cuiabá.
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Jeferson Ceará vende camisas de clubes e super-heróis; "Precisamos driblar a crise"
Seu ponto é fixo. As camisas de clubes de futebol e de super-heróis ficam no varal e todos que passam procuram sobre preço e qualidade. “Vendo de tudo. Em dia de jogo levo minhas camisas para a Arena (Pantanal). Meu emprego, meu pão e de minha família eu tiro aqui”, garantiu o rapaz.
“Além de tudo isso, a gente engana a crise e ainda trabalha. Minhas camisas são de qualidade, vêm do Nordeste e eu pago meus impostos tudo certo. É só chegar e escolher, sempre temos bom preço ao consumidor”, sorriu o comerciante.
Por semana, ele vende cerca de 70 camisas e por mês afirma ter um lucro em média de R$ 2.7 mil. “Dá para sustentar minha família muito bem. Sem precisar cometer crime com a sociedade”, frisou.
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